Brasília - Pelo segundo mês seguido, o Banco Central (BC) manteve inalterados os juros básicos da economia. Apesar das fortes críticas sofridas nas últimas semanas por não ter reduzido a taxa Selic já em janeiro, o BC decidiu mantê-la em 16,5% ao ano por mais um mês.
Nenhuma justificativa foi apresentada pelo BC para explicar a decisão, ao contrário do que costuma ocorrer após reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Nota divulgada no início da noite de ontem se limitou a informar que ''o Copom decidiu por unanimidade manter a taxa Selic em 16,5% ao ano, sem viés''. ''Viés'' é o instrumento que permite que os juros sejam alterados a qualquer momento pelo BC.
A decisão ocorre num momento de turbulências no governo, depois da divulgação de um vídeo em que o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência Waldomiro Diniz negocia comissões e contribuição de campanha com um empresário de bingos.
Analistas do mercado financeiro apostavam na manutenção dos juros. O setor industrial criticou duramente a decisão. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) defendia queda de 1,5 ponto. Ontem, por meio de nota, disse que ''a política monetária insiste em roubar a cena''.
Em janeiro, dava-se como certa uma redução de 0,5 ponto percentual nos juros. Mas o BC surpreendeu ao manter a taxa. Segundo a ata da reunião, que explicou a razão para a decisão, o BC diz que ''o aumento recente da inflação e das projeções pode não representar somente um fenômeno temporário''.
Cinco dias depois, o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) disse que ''as pressões inflacionárias estão muito concentradas em fatores sazonais''.
As críticas em relação à decisão foram tão fortes que boatos sobre a demissão do presidente do BC, Henrique Meirelles, chegaram a circular no mercado. O BC também argumentou que havia sinais de que a indústria já preparava uma onda de remarcações de preços para breve, o que pressionaria a inflação. Nessas condições, juros elevados evitariam que a economia crescesse de maneira muito acelerada, reduzindo a margem que os empresários teriam para novos reajustes.

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