São Paulo Após duas surpresas consecutivas - o uso do compulsório em fevereiro e a adoção do viés de alta em março - o Copom tomou ontem uma decisão em linha com a expectativa majoritária do mercado: manutenção da Selic em 26,5% ao ano e eliminação do viés.
Os ajustes para cima nos contratos de DIs logo após a divulgação da decisão, explicam os analistas, refletem mais a natural parcela de tesourarias que sempre tomam algum risco de última hora - neste caso embaladas ainda pela informação da redução no preço dos combustíveis pela Petrobras - do que uma crença efetiva sobre a possibilidade de corte nos juros.
''O Copom fez o que tinha de fazer. Não deixou cair na tentação de um corte por causa de uma perspectiva melhor para a inflação, mas por enquanto somente uma perspectiva'', comenta o economista Vladimir Caramaschi, da Fator Corretora.
Mas o que os olhos do mercado passam a olhar é o que virá daqui para frente. Boa parte dos analistas já fala sobre a possibilidade de um corte em maio, outra prefere projetá-lo para junho ou julho. De consenso, apenas o fato de que essa é uma tendência e que a decisão final dependerá de dois fatores: o comportamento do câmbio e as expectativas do mercado para a inflação.
O economista Luis Afonso Lima, do BBV, destaca que os efeitos da apreciação cambial sobre os preços costumam ocorrer no mesmo trimestre do movimento cambial, segundo o modelo do BC que o mercado tenta replicar. Ou seja, boa notícia: o que está hoje inicialmente se refletindo nos IPAs terá reflexos importantes nos próximos meses nos IPCs.
Mais do que isso, destaca o economista, os movimentos de câmbio costumam gerar mudanças efetivas nas expectativas dos agentes financeiros com um atraso médio de dez semanas. ''Hoje, essas expectativas do mercado são o que mais engessam as projeções do BC utilizadas na decisão sobre os juros. Acredito que uma melhora mais consistente dessas expectativas será o principal gatilho para um corte nos juros'', diz Lima.
Até a decisão, seja em maio, junho ou julho, tem muita coisa para acontecer: além dos índices correntes, será preciso verificar os efeitos da queda já anunciada dos combustíveis, mas também dos reajustes das tarifas públicas e das negociações salariais que ganham força a partir de maio.

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