Brasília Nove dias depois de ter elevado os juros básicos da economia em três pontos percentuais, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu ontem manter a taxa em 21% ao ano. Não foi indicado nenhum viés, o que significa que, a princípio, os juros serão mantidos até a próxima reunião do Copom, marcada para os dias 19 e 20 de novembro.
No último dia 14, o BC convocou reunião extraordinária do Copom para aumentar os juros de 18% para 21% ao ano. Na ocasião, a decisão foi apresentada como necessária para manter a inflação sob controle, embora tenha sido entendida como uma medida para tentar frear a alta do dólar.
A manutenção dos juros anunciada ontem não chegou a surpreender, embora um novo aumento não estivesse descartado. Para alguns analistas, o BC poderia elevar a taxa para, mais uma vez, tentar deter a desvalorização do real, já que a cotação do dólar se mantém na casa dos R$ 3,80.
Para explicar a decisão de ontem, o BC divulgou uma nota pouco esclarecedora: ''O Copom decidiu, depois de avaliar o quadro econômico, manter a taxa Selic em 21% ao ano, fixada na reunião extraordinária do dia 14''. Mais detalhes só devem ser oficialmente divulgados na próxima quarta-feira, com a ata da reunião concluída ontem.
Quando decidiu elevar os juros, na semana passada, o BC justificou sua decisão dizendo que o nervosismo em torno do processo eleitoral estava mais forte do que se esperava, o que teria impacto direto sobre cotação do dólar e comportamento da inflação.
''O Copom vinha baseando suas projeções num cenário básico no qual a transição para o futuro governo ocorreria sem turbulências exageradas (...). O aumento do grau de incerteza observado nos últimos meses tem diminuído a probabilidade de concretização desse cenário'', informava a ata da reunião do último dia 14.
Pelo ''cenário básico'' projetado pelo BC, esperava-se que a cotação do dólar ficasse estável em torno de R$ 3,20 até o final do ano. Além disso, a inflação projetada para o ano que vem era de 4,5%. Agora, a estimativa foi revista para mais de 5%.
Também na semana passada, o BC havia informado que as decisões sobre os juros praticados no País têm por objetivo o cumprimento das metas para a inflação, e não o controle da taxa de câmbio. A instituição admite, porém, a preocupação de que a alta do dólar seja repassada aos preços.
Em tese, juros altos tornam o crédito mais caro, desestimulam o consumo e fazem as empresas reduzirem seus investimentos. A combinação desses fatores levam a uma redução no nível de atividade. Se a economia cresce menos, o espaço que as empresas têm para reajustar seus preços diminui, o que colabora para o controle da inflação.

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