Copom mantém Selic em 19,75%
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quarta-feira, 17 de agosto de 2005
Ana Paula Ribeiro<br>Folhapress 
Brasília Mais uma vez o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) optou pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 19,75% ao ano. É a terceira manutenção consecutiva. Entre setembro de 2004 e maio deste ano, foram nove elevações.
A convergência das expectativas de inflação para a meta ainda não foi suficiente para o BC se convencer de que os preços estão sob controle. A volatilidade nos mercados, em especial nos preços internacionais de petróleo, adiou o tão esperado início do ciclo de baixa dos juros.
O comitê trabalha para assegurar a convergência da inflação para a meta perseguida pelo BC, que é um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,1%. No mês passado, o índice foi de 0,25%.
A previsão do mercado já está próxima da meta ajustada: 5,4%, segundo a última pesquisa da autoridade monetária feita com analistas.
Com essa trajetória de queda praticamente assegurada, a expectativa é que o BC comece a reduzir os juros a partir de setembro. Na ata da reunião do mês passado, o comitê reafirmou que manteria a Selic neste patamar ''por um período suficientemente longo de tempo''.
O IPCA é o indicador usado pelo governo para as metas de inflação, que neste ano é de 4,5%, com uma margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo. Isso significa que a inflação no período de 12 meses 7,94% até julho , ainda supera o teto da meta de inflação, que é de 7%. Embora a meta seja de 4,5%, o BC anunciou em setembro do ano passado que irá perseguir uma inflação de 5,1%.
Um dos motivos que levou o BC a adotar uma política monetária mais dura por nove meses foi o temor de que a recuperação econômica provocasse reajustes nos preços por parte da indústria. Essa pressão pode ser maior se a indústria não for capaz de atender toda a demanda.
No entanto, esse risco foi descartado neste ano, quando a indústria passou a crescer em um ritmo menor. A produção industrial brasileira registrou alta de 1,6% em junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) teve um crescimento de 4,9%, o maior desde 1994. No entanto, o crescimento no primeiro trimestre do ano foi de apenas 0,3% na comparação com o trimestre anterior. Já a produção industrial, que no ano passado cresceu 8,3%, ficou estável em abril na comparação com março.
A justificativa para a manutenção da taxa será conhecida no dia 25, quando será divulgada a ata da reunião.


