A preocupação com o comportamento da inflação levou o Comitê de Política Monetária (Copom) a manter as taxas de juros básicas em 18,5% ao ano. Após quatro horas de reunião ontem, a mais longa desde que o comitê passou a se reunir dois dias por mês, o diretor de Política Monetária, Luiz Fernando Figueiredo, anunciou a taxa destacando que ‘‘o Copom, analisando os eventos recentes e propectivos na trajetória futura da inflação, decidiu pela manutenção da taxa de juros básica em 18,5% ao ano’’.
Figueiredo recusou-se a dar maiores explicações sobre as discussões no comitê alegando que os detalhes constarão da ata da reunião a ser divulgada na próxima semana. Com a decisão de ontem, o Copom não surpreendeu os analistas de mercado que, na maioria, apostaram na manutenção das taxas.
O economista Luiz Rabí, do BicBanco, havia previsto que o Copom manteria a taxa de 18,5% ao ano preocupado com o impacto que um aumento da taxa de câmbio poderia ter sobre a inflação. Segundo ele, o Copom não poderia ter decidido de forma diferente. ‘‘Havendo pressão inflacionária, o Banco Central será levado a elevar os juros’’, disse.
O economista não descarta a hipótese deste aumento nas taxas brasileiras ser decidido na próxima reunião do Copom, nos dias 20 e 21 de junho. Hugo Penteado, do ABN Asset Management, também apostou na manutenção dos juros em 18,5% ao ano por considerar que, no curto prazo, ‘‘as taxas brasileiras estão totalmente dependentes do que ocorre na economia americana’’. Ele salienta que, ‘‘enquanto a desaceleração da economia nos Estados Unidos não estiver patente o Federal Reserve vai continuar elevando os juros’’. O efeito negativo deste aumento na economia do Brasil seria uma fuga de capital do investidor externo rumo ao mercado americano.

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