Copom mantém juro em 19% ao ano
O Banco Central manteve em 19% ao ano a taxa de juros básica (Selic), como já era esperado pelo mercado. A decisão foi tomada ontem pelo Copom (Comitê de Política Monetária do BC). A taxa vai vigorar até a próxima reunião do Comitê, em novembro. O BC explicou, em uma nota, que ''a política monetária está adequadamente calibrada'' para o cumprimento da meta de inflação do ano que vem (de 3,5%). Mais detalhes serão conhecidos na semana que vem, quando será divulgada a ata da reunião.
Desde o início do ano, o BC tem tomado suas decisões sobre juros com base no comportamento do câmbio. Desde março, a Selic subiu cinco vezes (de 15,25% para 19%), numa tentativa de frear a desvalorização do real. A principal preocupação era o efeito que a alta do dólar teria sobre a inflação.
Um sinal de que o repasse já não preocupa tanto foi dado em estudo divulgado pelo BC no final do mês passado. O documento mostra que, quanto mais desaquecida está a economia, menor é o efeito da alta do dólar sobre a inflação.
Isso ocorre porque, numa retração, as empresas têm menos espaço para reajustar preços, mesmo com o aumento de custos. Por causa, principalmente, da alta dos juros neste ano, a economia deve crescer apenas 2%. No final de 2000, previa-se um crescimento de 4,5% em 2001. A expectativa do mercado é mais pessimista. Pesquisa do BC mostra que os bancos esperam um crescimento de 1,63% para este ano e de 2,25% em 2002.
Assim, o desaquecimento da economia deve ser suficiente para impedir que a alta do dólar eleve a inflação, permitindo ao BC evitar uma nova elevação nos juros. Mas as incertezas em relação ao cenário externo, como as dúvidas sobre a Argentina, fazem com que o BC mantenha a postura conservadora e não reduza os juros.
Se o dólar não é mais visto como ameaça, as tarifas públicas colocam em risco a meta de inflação para 2002. Nesse ano, o BC prevê um aumento de 7,6% nos preços administrados pelo governo. O BC prevê inflação de 3,9%, acima da meta central de 3,5%.





