Copom: linha cautelosa para reduções da Selic
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quinta-feira, 19 de março de 2009
Adriana Fernandes e Fabio Graner<br>Agência Estado 
Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, destacou, na ata da última reunião, realizada na semana passada, que há margem para um processo de redução da taxa básica de juros brasileira, a Selic, diante do desaquecimento da demanda. Porém, o Comitê afirma que o processo de flexibilização dos juros deve ser cauteloso. Na semana passada, o Copom reduziu em 1,5 ponto porcentual a taxa Selic, que passou de 12,75% para 11,25%.
De acordo com a ata divulgada ontem, a avaliação sobre novas reduções no juro básico deve levar em conta o fato de ter havido um longo período de inflação elevada no Brasil. A despeito de haver margem para um processo de flexibilização, a política monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas.
Os membros do Copom destacaram ainda que o desaquecimento da demanda, devido ao aperto das condições financeiras, criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção, o que contribuiria para conter a pressão da inflação e exercer menor pressão sobre serviços.
Meta
A ata indica a perspectiva de o índice oficial de inflação no País, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficar em 4,5% para este ano, conforme determinação do Conselho Monetário Nacional (CMN). Continuaram ampliando-se de forma importante as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente para a trajetória de metas, diz o documento.
Esse espaço aumentou segundo o Copom, devido aos sinais de arrefecimento do ritmo de atividade econômica, entre eles, os indicadores de produção industrial, dados de mercado de trabalho, taxas de utilização da capacidade da indústria e informações sobre confiança de empresários e consumidores.
No documento, constam os riscos remanescentes para a inflação. De acordo com ata, esses riscos derivam da trajetória dos preços de ativos brasileiros em meio a um processo de estreitamento das fontes de financiamento externo e de mecanismos de reajuste que contribuem para prolongar ao longo do tempo pressões inflacionárias do passado.
O BC destaca que isso é evidenciado no comportamento dos preços dos serviços e de itens monitorados neste início do ano. O balanço dessas influências sobre a trajetória prospectiva da inflação será fundamental na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária, diz a ata.
Para a economista-chefe da Arkhe DTVM, Inês Filipa, a ata da reunião de março trouxe um conteúdo bastante parecido com o do documento do encontro de janeiro, apesar de o
corte na taxa básica de juros ter sido mais expressivo na semana passada. A economista destacou que as condições da economia continuam abrindo espaço para novos cortes da Selic. Eu continuo acreditando em novas quedas dos juros. Deveremos fechar o primeiro semestre abaixo dos 10%, disse.


