Copom interrompe série de altas e segura juro em 19%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de agosto de 2001
Agência Folha<BR>De Brasília 
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central confirmou as expectativas do mercado financeiro e interrompeu ontem a trajetória de elevação da taxa básica de juros da economia brasileira (Selic). A decisão de manter a Selic em 19% ao ano foi anunciada no início da noite pelo BC.
A diretoria do BC também manteve o viés (tendência) da taxa Selic em neutro, o que significa que o presidente da instituição, Armínio Fraga, não poderá mexer nos juros antes da próxima reunião do Copom, marcada para os dias 18 e 19 de setembro. Para alterar a taxa antes desta data, Fraga terá de convocar um encontro extraordinário do Comitê.
Nos últimos cinco meses, o Copom promoveu o aumento de 3,75 pontos percentuais na taxa Selic para conter pressões inflacionárias provenientes, principalmente, da alta do dólar que tem sua origem na crise da economia argentina e no desequilíbrio das contas externas.
Na semana passada, entretanto, o BC colheu frutos por ter elevado a Selic nos últimos cinco meses em um cenário de racionamento de energia: o PIB brasileiro caiu 0,99% no segundo trimestre de 2001 em relação aos primeiros três meses deste ano.
O governo, que projetava no início do ano um crescimento de 4,5% do PIB, teve de se conformar com a variação de apenas 2,49% no primeiro semestre deste ano. Bancos já começaram a refazer as projeções para o PIB deste ano e expectativas inferiores a 1% surgiram.
Outro fator que pode ter influenciado a decisão do Copom é o novo acordo com o FMI (Fundo Monetária Internacional). Neste programa foram estipulados critérios de acompanhamento mais ''brandos'' para a inflação, o que proporcionou ao BC mais ''folga'' para calibrar a política monetária.


