Após novo corte de um ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), nesta quarta-feira, 6, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) indicou, no seu comunicado da decisão, que reduzirá o ritmo de cortes na próxima reunião. O comitê, que baixou a Selic de 9,25% para 8,25% ao ano, afirmou ainda que esse será o início do processo de "encerramento gradual", como definiu no comunicado, do atual ciclo de política monetária -o BC começou a cortar os juros básicos em outubro do ano passado.
"Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária", diz o comunicado. "Além disso, nessas mesmas condições, o Comitê antevê encerramento gradual do ciclo".
O BC ressaltou que esse cenário irá depender da evolução da atividade econômica e das projeções de inflação. "O Copom ressalta que o processo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação."

"ESTIMULATIVA"
O comunicado afirma que ainda que a atual conjuntura econômica, com fraca atividade, pede o que classificou de "política monetária estimulativa", ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural, que depende de fatores como produtividade, perspectivas para a política fiscal e qualidade do ambiente de negócios. "O comitê enfatiza que o processo de reformas, como as recentes aprovações de medidas na área creditícia, e de ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural. As estimativas dessa taxa serão continuamente reavaliadas pelo comitê", diz o texto.

POUPANÇA
Com o novo corte, o Copom aciona o gatilho de rentabilidade da caderneta de poupança, que passa a render menos sempre que a Selic for igual ou inferior a 8,5%. Na prática, a caderneta de poupança, que até então tinha valorização de 0,5% ao mês, mais a TR (Taxa Referencial), passa agora a render 70% da Selic, mais a TR. Na ponta do lápis, o desempenho do investimento trará resultados inferiores aos verificados atualmente. Mas isso não significa que as demais aplicações de renda fixa, como o Tesouro Direto, CDBs e similares tornem-se mais atraentes.
Segundo os especialistas, antes de tomar uma decisão, o investidor precisa comparar a rentabilidade no final da operação. Essa é opinião, por exemplo, do professor Joelson Sampaio, da Fecap. "A taxa de administração é que vai determinar se o investimento vai ficar ruim ou não", diz.
Sampaio explica que, com a incidência de Imposto de Renda e a taxa de administração, o investidor pode receber menos em produtos de renda fixa do que se deixasse na poupança, mesmo ela rendendo 70% da Selic mais a TR. Ele diz que em um cenário de juros de 8,5%, apenas os fundos de renda fixa com taxas administrativas de 0,5% ganham da poupança.
Diante dessa realidade ruim para quem está nos fundos, o gatilho tende a baixar as taxas de administração desses investimentos, acredita Angela Nunes, planejadora financeira pela Planejar.
No caso do CDB (Certificado de Depósito Bancário), o professor de finanças da Saint Paul Escola de Negócios, Alan Ghani, aconselha olhar para os prazos para saber se a incidência de Imposto de Renda não irá comprometer muito da rentabilidade.
Ele explica que, para um prazo de seis meses, a poupança ganha do CDB que paga até 90% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), balizado pela Selic. Para quem vai investir durante um prazo entre um e dois anos, o ideal é recorrer ao CDB que pague mais de 85% do CDI. Já para o investidor que pretende deixar o dinheiro rendendo mais de dois anos, vale a pena um CDB com retorno acima de 83% do CDI. Caso contrário, melhor deixar na poupança. (Com Fabrício de Castro e Fernando Nakagawa/Agência Estado)

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