Brasília - Depois de manter por dois meses seguidos uma atitude apreensiva em relação à trajetória dos índices de preços, a maioria dos membros do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) voltou a acreditar que diminuíram os riscos de descumprimento das metas de inflação estabelecidas pelo governo. É o que mostra a ata da reunião da semana passada, quando o comitê decidiu cortar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto porcentual e baixá-la para 16,25% ao ano.
Segundo o documento, divulgado ontem pelo BC, a queda dos principais índices de preços em fevereiro, a redução das expectativas de inflação para os próximos 12 meses e a baixa intensidade do repasse ao varejo da inflação mais alta do atacado forneceram ''evidência suficiente'' de que havia espaço para diminuir os juros.
Essa foi a avaliação de seis dos nove membros do Copom, já que outros três diretores do BC votaram pela manutenção da Selic em 16,5% ao ano e propuseram deixar o corte da taxa ''para um momento posterior, quando houvesse evidências adicionais de que a maior inflação ocorrida entre janeiro e fevereiro não contaminaria a inflação dos meses seguintes''.
Segundo a análise do comitê, a trajetória de queda da inflação pode ser mais bem visualizada no comportamento dos chamados núcleos de inflação nos quais as variações dos preços são expurgadas de elementos sazonais, altas atípicas ou oscilações muito acentuadas. De acordo com um desses cálculos chamado de ''médias aparadas com suavização'' , o núcleo do IPCA caiu de 0,73% em janeiro para 0,48% em fevereiro, o menor valor desde junho de 2002.
Houve consenso, entre os diretores do BC, de que a decisão de manter os juros nos dois primeiros meses do ano foi fundamental para conter o crescimento da inflação. A expectativa para março, segundo o Copom, é de continuidade do processo de desaceleração de preços ao consumidor, com queda no preço dos alimentos, por causa da entrada da safra agrícola no mercado, e o esgotamento do impacto do reajuste das mensalidades escolares.
No atacado, os preços industriais devem continuar pressionados pelos reajustes de insumos, porém em ritmo inferior ao observado em fevereiro. No mês passado, os preços industriais foram fortemente pressionados pela alta do preço internacional de commodities, como aço e alumínio, e pela mudança na legislação da Cofins, registra a ata.

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