São Paulo - A tentativa de inibir o reajuste de preços, diante da pressão exibida pelos índices inflacionários no último mês, levou o Copom Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) a elevar a taxa básica de juros (Selic) de 22% para 25%, mostrou a ata da reunião dos últimos dias 17 e 18, divulgada ontem. A decisão foi unânime.
Os juros são usados pelo governo como instrumento para conter a inflação porque encarecem o custo de crédito. Com os empréstimos mais caros, os consumidores gastam menos e os comerciantes resistem mais em aumentar os preços.
A ata afirma ainda que a elevação da Selic permitirá o recuo das expectativas de inflação em 2003, ajudando a coordenar as expectativas e impedindo que a deterioração dessas expectativas de inflação se auto-realize. Mesmo assim, o comitê revisou para cima sua expectativa de inflação para 2003, sem, no entanto, informar a projeção. Para tanto, o BC cita o ambiente de deterioração de expectativas, inflação ascendente e a recuperação da atividade econômica.
Além disso, a previsão é que os preços administrados absorvam a depreciação do câmbio ocorrida em 2002, quando o dólar subiu 53%.
Segundo o comitê, entretanto, não houve necessidade de uma alta maior porque há possibilidade, projetada em um cenário alternativo, de as expectativas de inflação para 2003 e a taxa de câmbio recuarem mais rapidamente.
Esse cenário, segundo a ata do Copom, baseia-se na recuperação de confiança na economia brasileira e também no fato de a inflação no último trimestre de 2002 apresentar um forte componente temporário, devido à entressafra agrícola, à alta do preço internacional de algumas commodities (produtos básicos) e às remarcações preventivas.

mockup