Copom eleva taxa Selic para 16,25%, sem viés
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quarta-feira, 15 de setembro de 2004
Gustavo Freire<br> Agência Estado 
Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu ontem, em quatro horas de reunião, por 5 votos a 3, elevar a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, para 16,25%. O aumento, já esperado, criou nos últimos dias forte tensão dentro do governo. A surpresa foi o tom da nota do BC, que se referiu ao início de um ''processo de ajuste moderado na taxa básica de juros''. O mercado entendeu que virá nova alta. Empresários e sindicalistas também. A reação foi de crítica aos efeitos sobre o crescimento.
Representantes do setor produtivo interpretaram a decisão do Banco Central de aumentar a taxa Selic para 16,25% ontem como uma ameaça à recuperação da economia, enquanto analistas do mercado financeiro consideraram a medida pacificadora. ''Com a decisão, o comitê dá início a um processo de ajuste moderado na taxa básica de juros, de forma que a trajetória de inflação não prejudique a recuperação da renda real, preservando, assim, o crescimento sustentado da economia'', diz a nota divulgada ontem à noite pelo Comitê de Política Monetária do BC.
A decisão de elevar a Selic em 0,25 ponto percentual contou com cinco votos a favor. Os outros três diretores votaram por uma alta maior, de 0,5 ponto. É a terceira vez que o BC aumenta os juros no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Logo depois da posse, em janeiro do ano passado, o BC elevou a Selic de 25% para 25,5% e, em fevereiro, para 26,5%. Desde então, vinha reduzindo os juros até a reunião de abril. A partir daí, quando o mercado enfrentou uma minicrise por causa da expectativa de aumento dos juros americanos, a taxa Selic manteve-se em 16%. A próxima reunião do Copom acontece nos dias 19 e 20 de outubro.
Segundo analistas, a informação de que se inicia um processo de ajuste dos juros contida no comentário divulgado ontem pelo BC indica novos aumentos de juros à frente. Com isso, o Copom agrada aos que consideram necessária uma alta de 0,5 ponto, diz um analista. Ao mesmo tempo, ao dizer que o ajuste será gradual, o BC tenta não assustar os empresários. ''Houve uma preocupação grande em transmitir tranquilidade para os agentes econômicos que pensavam em engavetar investimentos'', disse o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros.
Na avaliação do presidente da Acrefi, entidade que reúne as financeiras, Érico Sodré Quirino Ferreira, o impacto da alta da Selic será apenas psicológico e não será grande. ''O aumento é imperceptível'', diz o executivo.
Para o comércio, ''este ajuste tem baixo impacto econômico e fortíssimo impacto psicológico e político'', diz o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. Grandes redes de varejo de eletrodomésticos e móveis que cobram juros inferiores a 1% ao mês e muito abaixo da taxa básica de 16% ao ano, ou 1,24% ao mês, declararam que poderiam rever os juros caso o Copom aumentasse a taxa em 0,5 ponto porcentual.


