Assunção - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse ontem pela manhã que não daria palpite sobre a decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom). ''Não quero falar sobre juros para que o Copom possa tomar sua decisão de forma serena e tranquila'', disse o ministro, que participa no Paraguai da 24Reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC) do Mercosul (leia matéria na página 3). Sobre as pressões para o corte da taxa Selic, Palocci disse que os mesmos que cobram a redução dos juros devem parar de remarcar preços. Indagado se o atraso na decisão de reduzir os juros não estaria prejudicando o crescimento da economia, ele reafirmou que ''não dá para marcar data para a retomada do crescimento''.
À noite, no Aeroporto de Assunção, onde foi esperar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro disse que a redução dos juros é condição necessária, mas não suficiente, para o crescimento da economia. Segundo Palocci, para o crescimento da economia é preciso haver também investimentos, renda, acesso ao crédito, logística e energia. Ele lembrou que em 2001, por exemplo, os juros caíram, mas o processo de queda foi interrompido pela crise de energia. Isso explica, segundo ele, a razão de o governo ter anunciado ontem o roteiro para uma agenda de desenvolvimento.
Na conversa com os jornalistas pela manhã, o ministro ressaltou que o ajuste fiscal e monetário feito até agora deu resultados muito significativos, com uma queda importante na taxa de risco país, que recuou de mais de 2.400 pontos-básicos para menos de 700 pontos. ''Os números (da economia) são melhores do que há seis meses, cinco meses ou quatro meses, e contra números não há o que discutir.'' Segundo Palocci, as linhas de crédito retornaram integralmente ao País. ''Nosso acesso aos mercados permitiu, na semana passada, emitir títulos de dez anos com taxas de juros menores do que há um ano.''
O ministro afirmou ainda que a inflação está convergindo para as metas. ''O esforço feito no primeiro semestre tirou o Brasil da crise aguda'', disse Palocci. ''Se anualizada a inflação de fevereiro de 2002 a fevereiro de 2003, teríamos 40% este ano. Mas para os próximos 12 meses está em 7,76%.''
Os ministros de Economia e Fazenda e os presidentes dos bancos centrais dos países que formam o Mercosul, além do Chile e da Bolívia, decidiram ontem, em Assunção, manter a meta de inflação em 5% a partir de 2006, estabelecida na reunião de Brasília, em dezembro de 2002. A decisão faz parte do processo de harmonização das variáveis macroeconômicas acertado na reunião de cúpula de Florianópolis, em dezembro de 2000.
Uma das decisões definidas na manhã de ontem é a manutenção do papel do Grupo de Monitoramento Macroeconômico, que continuará informando os bancos centrais dos países do bloco sobre os desvios que possam ocorrer nas variáveis macroeconômicas.

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