Copom deve manter taxa de juros básicos
A desaceleração dos índices de inflação registrada em janeiro ainda é considerada insuficiente para que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a taxa de juros básica, hoje em 19% ao ano, na reunião dos dias 19 e 20. Essa é a opinião consensual dos economistas ouvidos pela Agência Estado. Eles destacam que é preciso ter maiores evidências de que a inflação está de fato perdendo o fôlego. Além disso, há indícios de que a recuperação do ritmo de atividade neste início de ano sancionou repasses de aumentos de custos para preços no segmento de bens duráveis.
O economista-chefe da MCM, Nilton Rosa, destaca, por exemplo, que, nas suas contas, o núcleo da inflação medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), um indicador de tendência da inflação, ficou em 0,52% em janeiro ante 0,70% em dezembro. Com isso, a inflação anualizada projetada em 9% em dezembro recuou para 6,4% no mês passado. Esse resultado ainda é superior ao centro da meta de inflação acordada com o FMI para este ano de 3,5% e também ao teto da meta (5,5%).
Não tivemos uma evolução do núcleo e a inflação não cedeu de forma expressiva em janeiro para permitir um corte nos juros, afirma o diretor do Inter American Express, Marcelo Allain. Para o economista do Lloyds TSB, Wilson Ramião, não é possível dizer que há tendência de desaceleração dos índices de preços. Ele frisa que há sinais de que a recuperação na atividade permitiu repasse de custos.
Análise do economista do BBV Banco, Luís Afonso Lima, mostra, por exemplo, que os preços competitivos aqueles que não sofrem a interferência do governo foram reajustados em janeiro em 0,59%, variação superior ao índice geral do IPCA (0,52%).





