Copom deve manter Selic, mas haveria espaço para queda
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic, o mercado de juros futuros continua reduzindo suas projeções de taxa, embora a maioria das análises esteja centrada na idéia de que o conservadorismo na política monetária será mantido.
Os discursos praticamente se repetem: o Copom não reduzirá a Selic dos atuais 19% ao ano em que se encontra desde julho porque o core inflation ainda está relativamente alto para a apertada (e criticada) meta de inflação de 3,5% em 2002.
Mas são muitos os operadores a comentarem que existe, sim, espaço para a redução da Selic agora e que isso só não deve ocorrer porque a personalidade do Copom é excessivamente cautelosa. Estes lembram sempre que os 19% da Selic foram fixados numa conjuntura adversa, em que a situação da Argentina provocou o overshooting no câmbio do Brasil, contaminando a inflação e o cenário incerto se completou com os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos.
Houve uma melhora significativa no quadro brasileiro de lá para cá, mas, de qualquer forma, o mercado considera mais fácil que o BC promova a tão esperada queda da Selic em março.
Se esperar demais, por outro lado, avaliam experientes profissionais, a autoridade monetária corre o risco de perder o bonde: virão as pressões da rolagem de cambiais curtos (justamente os títulos emitidos durante a crise do ano passado), dos reajustes de preços administrados (começo do segundo semestre) e, eventualmente, da própria campanha pela sucessão presidencial.


