Copom deve manter juros, avalia mercado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de junho de 2002
Agência Folha 
São Paulo - As turbulências que sacudiram o mercado financeiro nos últimos dias devem levar o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter inalterada a taxa básica de juros na reunião que será realizada hoje e amanhã, avaliam economistas ouvidos pela Agência Folha.
As apostas do mercado no corte da taxa básica (a Selic, hoje em 18,5% ao ano), que eram grandes no início do mês, perderam força com a escalada do dólar e dos juros futuros na semana passada.
O Banco Central tinha dado sinais de que poderia cortar [a Selic] devido à queda registrada nos índices inflacionários. Mas o panorama se alterou com a turbulência que voltou ao mercado nos últimos dias, afirma Dawber Gontijo, estrategista-chefe do HSBC Investment.
Na reunião do mês passado, o dólar estava próximo dos R$ 2,50. Ontem, o dólar fechou a R$ 2,664 - depois de alcançar R$ 2,795 na última quarta. Com o dólar em patamares mais elevados, há a possibilidade de aumento da inflação, pressionada principalmente por produtos e insumos importados. Isso poderia comprometer a meta de inflação do ano - de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Para o economista-chefe do banco Santander, André Lóes, o comportamento do mercado hoje e amanhã terá muita relevância na decisão do Copom. Se a reunião fosse hoje (ontem), diria que os juros permaneceriam inalterados. Mas esse panorama pode se alterar se o mercado se acalmar até o fim da reunião [quarta-feira].
A Selic é a taxa de juros pela qual o governo procura tomar dinheiro emprestado no mercado interno para financiar seus déficits (gastos maiores do que a arrecadação). As oscilações da taxa básica também servem de parâmetro para os juros praticados no mercado.
O economista-chefe do banco BBV, Octávio de Barros, diz acreditar que a Selic será mantida, mas que não se surpreenderia se a decisão fosse por um corte de 0,25 ou de 0,50 ponto percentual. Uma redução dos juros, por mais modesta que seja, contribuiria para melhorar o humor do mercado, afirma Barros.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, a projeção dos juros no contrato DI (que considera os negócios entre bancos) de prazo em julho recuou ontem para 18,65% ao ano. Esse contrato reflete a expectativa do mercado em relação aos rumos que o BC dará aos juros. No momento de maior pessimismo na semana passada, o mesmo contrato foi negociado com taxa de 20% ao ano.
Wilson Ramião, economista do Lloyds TSB, diz que a discussão sobre a influência futura do câmbio na inflação será o ponto decisivo da reunião. A opção do BC deve ser pela manutenção dos juros.


