Agência Folha
De Brasília
Apesar da melhora do humor nas Bolsas de Valores, o Banco Central deverá adotar uma atitude conservadora hoje, mantendo os juros básicos da economia em 18,5% anuais, sem indicar tendência de queda da taxa nas próximas semanas.
A reunião de abril do Copom (Comitê de Política Monetária) foi aberta ontem, com relatos sobre a situação da economia brasileira e mundial. Hoje, os diretores do BC definirão os juros válidos nas próximas cinco semanas.
A tendência é que seja suspenso o ‘‘viés de baixa’’, mecanismo que autoriza o presidente do BC, Armínio Fraga, a baixar os juros, a seu exclusivo critério, sem esperar pela reunião seguinte do Copom.
Foi por meio desse mecanismo que os juros básicos da economia foram reduzidos em março passado, de 19% para 18,5% anuais.
Para o economista-chefe do Citibank, Carlos Kawal, ainda há incertezas no cenário internacional, sobretudo sobre a tendência dos juros nos Estados Unidos. ‘‘Não está descartada a hipótese de o Fed (Federal Reserve, o BC dos Estados Unidos) elevar os juros em 0,5 ponto percentual na sua próxima reunião’’, disse.
Se por um lado o aumento nos juros pode servir para conter a inflação – uma das maiores preocupações do governo norte-americano –, por outro ele pode causar danos a um mercado acionário que já tem estado nervoso.
Quando as taxas aumentam, os investidores tem a tendência de tirar o dinheiro aplicado nas Bolsas e colocá-los em investimentos de renda fixa, atrelados aos juros, que passam a oferecer rentabilidade maior com riscos reduzidos.
Quando reduziu os juros em março, o governo contava com um cenário externo mais favorável porque os países produtores de petróleo tinham decidido aumentar sua produção. Antes dessa redução, os juros estavam estáveis desde setembro de 99.
Outro fator que contribuiu para a redução dos juros em março foi a fixação do salário mínimo em R$ 151, valor próximo do que foi defendido pela equipe econômica. Na época, os partidos que apóiam o governo pressionaram por um valor maior.
O mercado financeiro acredita que, para o Banco Central, não é um bom momento para redução nas taxas de juros.

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