Copom define taxa Selic hoje
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de outubro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O mercado, ontem, se mostrava bastante pessimista e apostava que o Comitê de Política Monetária (Copom) não alteraria a taxa Selic (juro básico). Ou seja: tudo deve ficar como está, com a taxa a 16,50%, sem viés. A reunião do Copom começou ontem e termina hoje.
O pessimismo do mercado tem explicação. Tudo levava a crer que seria uma terça-feira para render bons resultados, principalmente com o ágio de 303% da privatização do Banestado e o primeiro passo para um acordo no Oriente Médio. Mas tudo deu errado. Mesmo sem fatos novos, a Argentina deu o tom pessimista para os negócios, com registro de fortes vendas nos seus papéis da dívida externa afetando os brasileiros e de procura por hedge no peso futuro, no interbancário de Nova York.
Fontes do mercado disseram que o start teria sido dado por uma grande instituição financeira, que vendeu suas posições compradas em papéis da dívida argentina. Como a liquidez dos títulos é pequena, a pressão foi grande em todos os papéis de países emergentes. Outras comentaram que a mesma instituição teria vendido papéis brasileiros também, já que o upgrade dado pela Moodys não rendeu os frutos desejados, atropelado pela alta do petróleo.
O mercado passou o dia tentando descobrir o que aconteceu na Argentina para provocar tanto desastre. Os fatos crise política, problemas para votação do orçamento do país, greve de produtores agrícolas não eram tão novos nem tão contundentes que pudessem justificar um movimento mais forte de mercado.
O dólar comercial fechou em alta de 0,32%, ontem, cotado na venda a R$ 1,872, pressionado por compras de tesourarias de bancos para hedge (proteção). Um leque de fatores externos intranquilizou os traders e determinou o avanço da moeda no mercado à vista: a alta no preço do barril de petróleo negociado para novembro na Nymex; a preocupação com os desdobramentos da crise no Oriente Médio; a firme queda das bolsas nos EUA; o agravamento da situação político-econômica na Argentina; e os rumores sobre eventual queda do presidente do Banco Central da Europa, por causa de declarações feitas anteontem e que provocaram maior enfraquecimento do euro. Com o resultado de ontem, o comercial passa a contabilizar ganho de 1,46% neste mês. (Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)


