O mercado, ontem, se mostrava bastante pessimista e apostava que o Comitê de Política Monetária (Copom) não alteraria a taxa Selic (juro básico). Ou seja: tudo deve ficar como está, com a taxa a 16,50%, sem viés. A reunião do Copom começou ontem e termina hoje.
O pessimismo do mercado tem explicação. Tudo levava a crer que seria uma terça-feira para render bons resultados, principalmente com o ágio de 303% da privatização do Banestado e o primeiro passo para um acordo no Oriente Médio. Mas tudo deu errado. Mesmo sem fatos novos, a Argentina deu o tom pessimista para os negócios, com registro de fortes vendas nos seus papéis da dívida externa – afetando os brasileiros – e de procura por hedge no peso futuro, no interbancário de Nova York.
Fontes do mercado disseram que o start teria sido dado por uma grande instituição financeira, que vendeu suas posições compradas em papéis da dívida argentina. Como a liquidez dos títulos é pequena, a pressão foi grande em todos os papéis de países emergentes. Outras comentaram que a mesma instituição teria vendido papéis brasileiros também, já que o upgrade dado pela Moody’s não rendeu os frutos desejados, atropelado pela alta do petróleo.
O mercado passou o dia tentando descobrir ‘‘o que aconteceu na Argentina’’ para provocar tanto desastre. Os fatos – crise política, problemas para votação do orçamento do país, greve de produtores agrícolas – não eram tão novos nem tão contundentes que pudessem justificar um movimento mais forte de mercado.
O dólar comercial fechou em alta de 0,32%, ontem, cotado na venda a R$ 1,872, pressionado por compras de tesourarias de bancos para hedge (proteção). Um leque de fatores externos intranquilizou os traders e determinou o avanço da moeda no mercado à vista: a alta no preço do barril de petróleo negociado para novembro na Nymex; a preocupação com os desdobramentos da crise no Oriente Médio; a firme queda das bolsas nos EUA; o agravamento da situação político-econômica na Argentina; e os rumores sobre eventual queda do presidente do Banco Central da Europa, por causa de declarações feitas anteontem e que provocaram maior enfraquecimento do euro. Com o resultado de ontem, o comercial passa a contabilizar ganho de 1,46% neste mês. (Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)