Copom decide Selic hoje; empresários pedem queda
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, teve que enfrentar ontem um coro de empresários do setor industrial pedindo a redução dos juros. Antes de iniciar a reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que vai decidir hoje qual será a nova meta da taxa Selic, Fraga participou de um debate na Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde diversos presidentes de federações estaduais pediram a queda do juro básico da economia, que hoje está em 18,5% ao ano.
Fraga evitou precisar se haverá ou não queda da taxa Selic. Disse apenas que a decisão do Copom será fria e embasada, mas sinalizou que o cenário internacional continuará sendo fator decisivo na análise do Copom. Segundo Fraga, à medida que mudem os ventos internacionais, é natural que o BC continue na sua trajetória de redução das taxas de juros. Os ventos internos e externos podem a qualquer momento voltarem a soprar a nosso favor, disse Armínio.
Ele admitiu, no entanto, que a taxa de juros real no Brasil é superior à taxa de equilíbrio necessária de médio prazo, mas o BC continua trabalhando com o objetivo de reduzir estes porcentuais. Os fundamentos da economia brasileira apontam para uma redução das taxas de juros real e nominal disse. O que temos que fazer é administrar essa trajetória.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, pediu à Fraga que usasse seu lado mais ousado, e reduzisse a Selic. Esta redução criaria uma percepção positiva para os agentes econômicos.
O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Fierj), Arthur João Donato, foi irônico, e pediu ao menos um viesinho de baixa. Fraga respondeu apenas que a meta do governo é ter uma taxa de juros mais baixa possível, que permita o desenvolvimento da economia brasileira. A tendência é declinante e as decisões do Copom são tomadas sempre considerando esta meta, afirmou.





