São Paulo O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, pelo segundo mês consecutivo, manter a Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, em 18% ao ano, porém sem o viés de baixa determinado na reunião anterior. A decisão foi adotada por unanimidade e já era esperada pelo mercado. Uma nova reavaliação da Selic acontecerá apenas na próxima reunião do Copom, em 22 e 23 de outubro.
A ata da reunião encerrada ontem será conhecida no dia 25. No documento, os integrantes do Copom apresentarão as justificativas para a manutenção da Selic, principalmente para a retirada do viés de baixa. Na nota divulgada ao fim da reunião, ''o quadro de volatilidade e incerteza'' foi apontado como o principal responsável para a decisão. (Leia mais sobre juros na coluna de Joelmir Beting)
A decisão do Copom foi elogiada pelo ex-diretor do BC e sócio-diretor da MCM Consultores José Júlio Senna. ''O Brasil tem tido um longo período de juros altos e é chegada a hora de redução destas taxas, mas as circunstâncias não permitem, diante do ambiente político e das adversidades no horizonte externo'', destacou.
Para o economista-chefe e estrategista da ABN Amro Asset Management, Hugo Penteado, essa foi uma decisão sensata, já que, até a próxima reunião do Copom, todas as incertezas atuais se manterão. ''As eleições acontecem logo no início de outubro, a questão internacional com um possível conflito entre os Estados Unidos e o Iraque ainda gera muitas incertezas e os índices de inflação continuam pressionados. Não há segurança nenhuma para reduzir juros nesse momento. Portanto, retirar o viés foi uma decisão também acertada.''
O consultor José Estevam de Almeida Prado também acredita que retirar o viés foi uma decisão acertada do Copom. ''Não dá para ficar criando expectativas falsas. Se os juros não serão cortados até a próxima reunião, manter o viés de baixa não faz sentido. Pior do que isso, cria uma falta de credibilidade em relação ao viés, que deve ser visto como uma sinalização para o mercado.''
Segundo Penteado, uma redução da Selic agora poderia ser interpretada como estratégia política, já que corte de juros sempre é visto como uma medida popular. Nesse caso, afirma Penteado, o Copom estaria indo contra o principal objetivo da política monetária atual, que é o controle da inflação.
Especialistas do setor de crédito, porém, acreditam que haveria espaço para a redução da Selic, o que sinalizaria a confiança do BC na economia e ajudaria a reverter o quadro de recessão. Em relação às taxas das financeiras, embora a Selic tenha importância, os juros futuros são o fator determinante, explica o vice-presidente da Associação Brasileira de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), José Arthur Assunção.

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