São Paulo áᖠO Comitê de Política Monetária (Copom) terá uma reunião difícil na semana que vem, quando se encontra para deliberar mais uma vez sobre o nível dos juros básicos, hoje em 18,5% ao ano. Se de um lado a alta da inflação – provocada pelo reajuste dos combustíveis – reduz o espaço para o corte da taxa Selic, de outro a recente queda do dólar tende a aliviar a pressão sobre os preços. As apostas do mercado estão divididas entre uma redução de 0,25 ponto porcentual e a manutenção dos juros.
O economista-chefe da BBA Corretora, Alexandre Schwarstman, é um dos que acreditam num corte de 0,25 ponto. Ele lembra que, hoje, a principal fonte de pressão sobre os preços são os reajustes dos combustíveis, causados pela alta do petróleo – um choque de oferta, que ocorre independentemente do nível de demanda dos consumidores. ‘‘E a partir da ata de fevereiro o BC explicitou que não vai combater o efeito primário dos choques de oferta sobre os preços.’’ Para ele, o BC só tende a mudar sua nova atitude se houver o risco de o IPCA romper o teto da meta deste ano, de 5,5%, a exemplo de 2001.
E é a evolução negativa das projeções dos analistas quanto ao IPCA que leva o economista-chefe do HSBC, Alexandre Bassoli, a apostar que o Copom vai manter a Selic em 18,5% na semana que vem. Para ele, uma queda dos juros pode ser considerada inconsistente com o regime de metas inflacionárias, afetando a credibilidade do BC e, com isso, as expectativas dos agentes econômicos.

mockup