Agência Folha
De São Paulo
O Copom (Comitê de Política Monetária), formado por diretores do Banco Central, se reúne hoje em Brasília para decidir se modifica a taxa de juros de mercado no País. A taxa Selic, que rege a composição dos outros juros praticados no Brasil, está em 19%. Até a semana passada, a perspectiva era que houvesse uma mudança no ‘‘viés (tendência), passando-o de neutro para o de baixa. Agentes do mercado financeiro, no entanto, apostam que a taxa e o viés permanecerão inalterados, principalmente por causa da pressão inflacionária verificada no mês passado.
O dólar teve um dia de estabilidade, ontem. O mercado de câmbio parece ter se acomodado no nível de R$ 1,85. Nesta terça-feira, o dólar abriu em baixa e chegou a ser negociado na mínima do dia, ainda pela manhã, a R$ 1,8430 (-0,49%). À tarde, iniciou movimento de alta até atingir a máxima de R$ 1,8550 (+0,16%). No final do dia, a cotação da moeda norte-americana fechava em alta de 0,11%, a R$ 1,8540. Já na BM&F, os contratos de câmbio futuro encerraram o dia em baixa.
Operadores ainda mantêm o debate sobre o nível do dólar, ou seja, se R$ 1,85 seria o preferido pela equipe econômica, como se cogitou anteriormente. Perguntado sobre isso em Londres, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, preferiu não fazer comentários. Na prática, no entanto, o dólar registrou ontem o segundo dia com as cotações orbitando em torno de R$ 1,85.
A queda do dólar está sendo atribuída no mercado a três motivos básicos: Banco Central, fluxo cambial e inflação. Em relação ao BC, operadores lembram que o dólar começou a cair com as vendas pelo Banco Central, além do monitoramento diário dos negócios e dos leilões de compra e venda de dólar a termo para evitar falta de liquidez durante o período do ‘‘bug do milênio’’.
Quanto ao fluxo cambial, operadores afirmam que o saldo negativo que era temido para este mês não está se confirmando. Além do fato de boa parte do mercado ter antecipado suas compras de dólares para evitar contratempos no último mês do ano, o bom desempenho das bolsas de valores também estaria contribuindo para a melhora dos números do fluxo. Sobre a inflação, espera-se melhora nos índices.
E por que o dólar não estaria caindo ainda mais? Operadores chamam a atenção para o fato de que o dólar a R$ 1,85 estaria chamando o interesse de importadores. ‘‘Hoje, houve maior movimentação no fechamento de contratos de câmbio de importação’’, afirmou um analista. Ele também destacou a provável presença do Banco do Brasil na ponta de compra de dólares. ‘‘Há compromissos que vencem esta semana. E o BB pode estar comprando por causa disso’’, completou.
O mercado de juros seguiu quase ‘‘de lado’’ ontem, com pequena alta nas projeções futuras. Embora haja consenso quanto à manutenção da Selic em 19% e do viés neutro, dia de reunião do Copom sempre pode surpreender. Alguma atitude diferente por parte do Copom, arrisca um profissional, só mesmo se for alterado o viés para cima.
Odair Abate, economista-chefe do Lloyds Bank, disse que sua expectativa é de manutenção dos juros e viés neutro, embora o economista tenha dito que não ficaria surpreso se houvesse uma mudança de viés. BankBoston e ING também apostam em taxa inalterada.
O presidente do BankBoston, Geraldo Carbone, disse que ‘‘se estivesse lá no Copom não mexeria em nada, nem nos juros nem no viés’’. Para Mauro Schneider, do ING, embora haja sinais de que a inflação seja temporária, ainda não há dados suficientes para uma tranquilidade que permita reduzir os juros.

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