O Banco Central decidiu ontem não mexer nos juros básicos da economia e manteve a taxa Selic nos atuais 16,5% ao ano. Desde julho, o BC mantém os juros nesse patamar. A decisão foi tomada ontem, no segundo dia de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), pelos oito diretores do BC mais o presidente da instituição, Armínio Fraga.
O Copom também manteve o viés neutro, o que significa que a taxa Selic não será alterada antes da próxima reunião do Copom, a última do ano, marcada para os dias 19 e 20 de dezembro.
A ata da reunião de ontem só deve ser divulgada na próxima semana. Grande parte do mercado já esperava que o Copom não fosse mexer nos juros na reunião de ontem. Alguns analistas, porém, diziam acreditar que o empréstimo concedido pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) à Argentina e até mesmo os US$ 3,5 bilhões que devem entrar no País devido à venda do Banespa ao Santander poderiam ser entendidos pelo BC como fatores positivos, que poderiam levar a um corte nos juros.
O BC tem sido cauteloso no corte dos juros para garantir que a meta de inflação seja cumprida. Para este ano, o objetivo é que o IPCA, índice usado como referência para o sistema de metas, fique em 6%. Porém, há uma margem de tolerância de até dois pontos percentuais para baixo ou para cima.
Na reunião de outubro, o principal fator que impediu um corte nos juros foi a valorização do petróleo no mercado internacional. ‘‘Não se espera um patamar inferior a US$ 27 por barril de petróleo brent até o final do ano que vem’’, afirmava a ata daquele encontro.
Outro fator de incerteza apontado na ocasião foi a instabilidade nos preços dos títulos da dívida externa de países da América Latina, que o Copom atribuiu à crise no Oriente Médio e ao enfraquecimento do euro. Em setembro, a previsão do BC era que o IPCA ficasse em 6,7% neste ano – dentro, portanto, da margem de tolerância. Até o mês passado, o índice acumulou alta de 5,02%. O reajuste de 8% dos combustíveis anunciado anteontem deve ter um impacto de 0,5 ponto percentual no IPCA deste ano, segundo técnicos do BC, mas não deve atrapalhar o cumprimento da meta de inflação.

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