Copom aponta eleições como fator de risco
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sexta-feira, 01 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Brasília Para o Banco Central, as eleições deste ano podem prejudicar o fluxo de capital estrangeiro para o país, o que poderia colocar em risco o cumprimento das metas de inflação. Esse foi um dos motivos que levaram o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) a manter os juros básicos da economia em 19% ao ano, segundo a ata da reunião da semana passada, divulgada ontem.
Foi a primeira vez que um documento do BC relacionou as eleições com a política monetária conduzida pela instituição. A incerteza trazida pelas eleições e pela crise argentina teriam impedido o BC de promover um corte nos juros na semana passada.
É necessária atenção para o cenário externo, em especial para os eventuais desdobramentos da crise argentina, e para o comportamento do fluxo de capital externo, no contexto do processo eleitoral doméstico, afirma a ata da reunião do Copom.
A preocupação apontada pelo BC é que as eleições espantem os investidores estrangeiros, o que poderia levar a uma alta do dólar e, consequentemente, a um aumento da inflação. Para este ano, a meta do governo para a inflação é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
O BC diz que o comportamento da inflação é o fator que norteia as decisões sobre aumento ou queda das taxas de juros. Juros mais altos inibem a alta do dólar e causam um desaquecimento da economia, que, por sua vez, inibem os reajustes de preços.
Além das incertezas, preocupa o BC o fato de a inflação estar recuando mais lentamente do que o esperado no início deste ano. Isso foi apontado pelas prévias já divulgadas de alguns índices de preços.
TarifasO reajuste das tarifas públicas também ameaçam o cumprimento das metas de inflação. Em 2001, esses aumentos responderam por 1,7 ponto percentual dos 7,7% de alta do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial do governo.
Para este ano, o BC aumentou de 19% para 20,4% sua projeção para o reajuste nas tarifas de energia elétrica. Segundo a ata, a mudança foi feita em consequência do aumento de 2,9% ocorrido nos últimos dias do ano passado, que é refletido na inflação deste ano.
Como esse último reajuste foi concedido no final de 2001, parte de seu efeito na inflação só será sentido neste ano. Por isso, para efeitos de projeção de inflação, o BC passou a considerar que o reajuste de 2002 será de 20,4%.


