Brasília Um mês e meio de anúncio de medidas austeras, como corte de gastos e aumento de juros, não foi suficiente para afastar o dilema do controle da inflação versus crescimento da economia que vem atormentando as autoridades da área econômica do governo nos últimos meses. A diretoria do Banco Central encerra, hoje, a segunda reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) com a missão de estabelecer o novo patamar de juros que permita ao governo conciliar estabilidade de preços com algum fôlego para o País crescer.
Por isso mesmo, um novo aumento dos juros é tido como certo no mercado financeiro. As divergências ficam por conta do índice, que varia entre 0,5 e 2 pontos percentuais, o que elevaria a taxa atual de 25,5% ao ano para algo entre 26% e 27,5% ao ano. Os mercados futuros já apontavam, ontem, uma alta de 1 ponto percentual.
Nas análises dos técnicos, os indicadores de preços mostram a necessidade de uma elevação maior nos juros para conter a escalada inflacionária. Por outro lado, o governo já deixou claro que tem a preocupação de evitar sacrifícios desnecessários do crescimento econômico.
O que o Copom mais temia, de acordo com as atas das últimas reuniões, ocorreu. O choque a que a economia brasileira foi submetida no ano passado não se limitou aos preços vinculados diretamente com variáveis como a taxa de câmbio. ''Houve um movimento de alta generalizado. As pessoas aproveitaram para descarregar altas de preços que estavam represadas'', avalia Joel Bogdanski, gerente de Política Monetária do banco Itaú.
E justificativas para isso não faltaram. Além da insegurança com relação ao futuro da economia por causa do processo eleitoral, o dólar saiu de um patamar de R$ 2,5 para R$ 3,5. Os serviços em geral, que incluem desde gastos com educação, a dentista e cabelereiro, há três meses, registram variação elevada acima de 1,3% ao mês. ''A partir das próximas semanas, a inflação de itens como educação e transporte, que é sazonal, deve desacelerar mas, ainda assim, isso não será suficiente para fazer o IPCA cair'', afirma o economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz.

mockup