Brasília - A inflação de 2003 medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ultrapassar o limite máximo da meta definida pelo governo de 6,5%. Essa é a primeira vez que o Comitê de Política Econômica do Banco Central (Copom) admite que a meta de 2003 deve estourar.
Na ata da reunião do Copom do mês passado, o BC estimava que a meta de 2002 seria descumprida, mas as taxas para o ano que vem estariam ''em torno da meta ajustada''.
Conforme a ata da reunião da semana passada, as metas de inflação, tanto de 2002 quanto de 2003, ficarão acima do limite superior definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Para fazer essa projeção, o Copom usou como parâmetros a Selic em 21% ao ano e taxa de câmbio em R$ 3,55.
A ata da reunião da semana passada ainda mostra que o Copom elevou suas projeções para as taxas deste ano e de 2003. Entretanto o novo patamar não foi divulgado.
O BC esclareceu apenas que os novos valores estão ''significativamente'' abaixo das expectativas do mercado, que são de 10% para este ano e de 9,96% para 2003.
Combustíveis - O Copom prevê que o preço da gasolina deve cair 1,5% em 2003.
A queda é explicada pela valorização do real frente ao dólar no início deste mês e pela redução do valor internacional do petróleo, dois números que influenciam diretamente na formação do preço dos combustíveis.
Em outubro, o Copom esperava que o valor do litro da gasolina tivesse reajuste de 9% no ano que vem.
Da mesma forma, o gás de cozinha deve subir 6%, reajuste menor do que os 16,6% projetados pelo Copom no mês passado.
A explicação para a queda da projeção é a mesma usada para a diminuição do preço da gasolina.
Apesar da melhora nos valores de 2003, o Copom projeta manutenção dos preços do combustível e do gás de cozinha até o final deste ano.
As tarifas de energia também foram corrigidas para baixo. O Copom esperava, em outubro, que o preço pelo uso da eletricidade subisse 21,2% neste ano.
Agora, o percentual caiu para 20%, dos quais 17,2% já ocorreram até o mês passado. Entretanto, para 2003, o valor da energia poderá aumentar 27%, frente aos 25% estimados anteriormente.
A alta do próximo ano é motivada pela subida das projeções do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado).
Para o conjunto de preços administrados, como telefone e tarifas de ônibus, o Copom acredita na elevação de 13,4% neste ano e de 12,1% em 2003. Na ata da reunião do Copom de outubro, os percentuais projetados eram de 12% e 12,7%, respectivamente. A redução do valor esperado para o próximo ano decorre, conforme o BC, à trajetória de baixa dos preços dos derivados do petróleo.
Os novos dados para reajuste de preços estão na ata da reunião da semana passada do Copom, que aumentou de 21% para 22% a taxa básica de juros da economia.

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