COPOM - BC traça quadro otimista para a economia
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quinta-feira, 22 de abril de 2004
João Sandrini<br> Agência Folha 
Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) avalia que nem a provável alta de juros nos Estados Unidos nos próximos meses nem a alta da inflação no atacado devem abalar o crescimento da economia brasileira neste ano.
Na ata de sua reunião da semana passada, divulgada ontem, o BC abandona completamente o tom pessimista que dominava as atas divulgadas nos dois primeiros meses deste ano e traça um cenário cor-de-rosa para economia.
Segundo o BC, os juros americanos não terão grande impacto sobre o fluxo de dólares para o Brasil porque o governo já fez o ajuste das contas externas e reduziu a dívida indexada ao dólar. Além disso, o mercado teria antecipado os possíveis efeitos de uma ação do Federal Reserve (o BC dos EUA) e os preços dos títulos da dívida externa brasileira estariam neste momento já corrigidos.
''É importante ressaltar que cenários plausíveis de elevação da taxa básica de juros norte-americana já estão precificados pelos mercados de títulos, o que permite antever um impacto residual menor sobre as condições de liquidez internacional no momento em que esses cenários vierem a se concretizar'', diz o Copom. ''De forma geral, o cenário externo permanece bastante favorável.''
Entretanto, o Copom admite um provável solavanco no curto prazo. ''(A alta dos juros nos EUA) não deve acarretar correções muito acentuadas nos custos e na disponibilidade do financiamento externo para a economia brasileira ao longo de 2004, apesar da provável instabilidade que deverá ser observada no curto prazo'', afirma o BC.
O Copom afirma na ata que continua trabalhando com um pequeno repasse da inflação no atacado - mais alta nos últimos meses - para o consumidor.
Apesar de admitir que a alta dos preços ficou acima das expectativas tanto em março (quando o IPCA atingiu 0,47%) quanto no primeiro trimestre (1,85%) , o BC entende que as expectativas do mercado para a inflação deste ano ficaram ''relativamente estáveis''.
Por isso, a inflação ainda estaria ''levemente' abaixo da meta de 5,5% para este ano se for considerado a manutenção do atual cenário (dólar a R$ 2,88).
O BC também enumera na ata diversos indicadores positivos para mostrar que a economia continua em crescimento. Na semana passada, relatório divulgado pelo banco de investimentos norte-americano JP Morgan dizia que ''sinais mistos de crescimento'' colocavam em dúvida a meta de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) estipulada pelo governo para a economia neste ano, de 3,5%.
Para o BC, entretanto, ''a atividade econômica continua em tendência de expansão' e o ''crescimento da produção industrial já está tendo reflexo no nível de emprego''.
O Copom elevou sua previsão para o aumento da energia residencial neste ano, de 6,9% para 8,5%. Segundo o BC, os reajustes já concedidos em alguns Estados ficaram acima do esperado. Entretanto, na ata de sua última reunião, divulgada ontem, o comitê reduziu de 10% para 6,9% sua estimativa para a alta de preços do gás de cozinha. Também houve redução, ainda que pequena, da projeção de aumento das tarifas de telefone fixo, de 6,8% para 6,7%.
Já a previsão de alta da gasolina ficou estável, em 9,5%. Apesar das diversas alterações, somados os preços administrados por contrato ou monitorados também ficaram praticamente estáveis, subindo de 7,3% para 7,4% neste ano.


