Copesul vai ter que colocar o eteno excedente em oferta
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou na madrugada de ontem, por maioria, o acordo entre a Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) e as empresas OPP Petroquímica, OPP Polietilenos (do Grupo Odebrecht) e Ipiranga Petroquímica (do Grupo Ipiranga), que soma investimentos avaliados em US$ 1 bilhão. O Cade determinou, porém, que o excedente de produção da Copesul seja colocado em oferta pública, contrariando a decisão das quatro empresas de destiná-lo integralmente para consumo próprio.
A decisão do Cade é encarada por especialistas no setor como um importante indicador da tendência dos próximos julgamentos do Conselho em relação à indústria petroquímica. Estabelecido em abril de 1995, o acordo prevê o fornecimento de matérias-prima da Copesul - particularmente eteno - exclusivamente para as três empresas, a partir do projeto de expansão da Copesul.
A Petroquímica Triunfo, outra cliente da Copesul, reclamou ao Conselho que o protocolo assinado entre as empresas a impedia de receber uma cota a mais de eteno. Com isto, a Triunfo alega estar também sendo prejudicada num projeto próprio de expansão e modernização. Sem produto, a empresa perderia mercado.
Para o presidente do Cade, Gesner de Oliveira, a decisão do órgão foi um sinal de equilíbrio, depois de dois anos e meio de tramitação nos órgão de defesa da concorrência. O julgamento terminou à 1h55 de ontem, depois de uma sessão de nove horas e meia - considerada a sessão mais longa da América Latina em defesa da concorrência.
O eteno é fundamental para indústrias de refino de segunda geração fabricarem a matéria-prima usada na confecção de sacos plásticos, embalagens de comidas, fraldas descartáveis e sacaria industrial. A produção adicional deve ser de 535 mil toneladas.





