Copesan tenta anular licitação da Sanepar
Carmem Murara
De Curitiba
O consórcio de empreiteiras Copesan trava uma batalha judicial para tentar anular um contrato de licitação pública que deu à Itajuí Construção de Obras o direito de fazer os serviços de ampliação no sistema de abastecimento de água, na Região Metropolitana de Curitiba. As obras são do programa Paranasan, que tem financiamento do OECF fundo internacional japonês. A Itajuí ganhou um dos dois lotes da licitação pelo menor preço (de R$ 27 milhões), mas as desclassificadas alegaram que a Itajuí tinha sido decretada inidônea por uma comissão formada pela Procuradoria Geral do Estado e Sanepar.
O presidente da Sanepar, Carlos Teixeira de Freitas, afirmou ontem que a companhia de saneamento não pôde evitar a participação da Itajuí na concorrência, apesar do parecer, pois a construtora movia uma ação na Justiça para anular o pedido de inidoneidade. O julgamento da ação, onde a Itajuí perdeu a causa, só ocorreu após o processo de concorrência pública. A Sanepar jamais poderia desclassificar o menor preço apresentado na licitação. Seríamos acionados judicialmente. Ele avalia que os altos valores das obras motivaram as empreiteiras a brigarem entre si.
A Ouvidoria Geral do Estado tem o mesmo discurso. O ouvidor João Elias de Oliveira também entende que o que está em jogo é uma guerra de construtoras. Mas não nega que a Itajuí precisa de punição. A Sanepar deve entrar na Justiça comum para ter o ressarcimento das despesas referentes a 96. Naquele ano e em 95, a empreiteira teria descumprido algumas exigências da Sanepar e deixado de fazer obras, apesar de ter sido paga.
Revoltados com a situação, os advogados das empresas concorrentes querem punição imediata, que poderia vir com a anulação do último contrato ganho pela Itajuí. O advogado da Copesan, Luis Alberto Machado, acusa a Sanepar de ter aceitado uma empresa que não terá a mínima condição de cumprir o cronograma de obras.
Assinada pelo advogado Márcio Guiss Rausis, Machado encaminhou ao Tribunal de Contas uma denúncia contra a Sanepar por ilegalidade praticada por sua diretoria e comissão de licitação. Machado tomou como base a declaração da Sanepar sobre a inidoneidade.





