Copel venderá ações na Bolsa de NY
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quarta-feira, 16 de julho de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Arquivo FolhaNovos mercadosMiguel Salomão: A estratégia é aumentar o leque de investidoresA Companhia de Energia do Paraná (Copel) colocará ações a venda na Bolsa de Valores de Nova York. O leilão está previsto para acontecer no próximo dia 30 e será o primeiro do setor energético fora do mercado financeiro nacional. A Copel deverá vender aproximadamente 20 bilhões de ações preferenciais do tipo B (sem direito a voto). O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, e um grupo de deputados estaduais vão acompanhar a operação financeira nos Estados Unidos.
As ações, que serão leiloadas em Nova York, estão sendo emitidas pela Copel através de um aumento de capital. O capital social da empresa é de R$ 620,2 milhões (dados do balanço do primeiro trimestre deste ano). A Copel ainda não publicou fato relevante (publicação em jornal que explica a operação), detalhando a quantidade e o valor de cada ação. Informação que circulava ontem dentro da Assembléia Legislativa dava conta que o governo espera arrecadar R$ 400 milhões no mercado financeiro internacional.
Os lotes colocados na Bolsa de Nova York se diferem das ações que serão vendidas no leilão de amanhã (8,3 bilhões de ações preferenciais tipo B) na Bolsa de Valores do Paraná, pelo fato de estarem sendo recém-emitidas. As ações são lançadas diretamente pela Copel, não passando pela Banestado Corretora de Câmbio.
Com um patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões, a Copel decidiu lançar ações no mercado internacional para financiar seus projetos energéticos. O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, disse que a estratégia da companhia é aumentar o leque de possíveis compradores e investidores. A diferença é que mostramos a cara para investidores estrangeiros, que não estão apenas interessados em comprar ações, afirmou o secretário.
Responsável pela estruturação do projeto de venda das ações quando era secretário da Fazenda, Salomão não quis detalhar o valor e quantidade de ações que serão vendidas. Ele alegou que a SEC (órgão norte-americano similar à Comissão de Valores Mobiliários) proíbe divulgar informações sobre a operação.
Assim como os leilões no mercado interno, a venda das ações da Copel no exterior serão acompanhadas por uma comissão de deputados estaduais. Os deputados Valdir Rossoni (líder do governo), Beto Richa (PSDB) e Durval Amaral (sem partido) foram liberados pelo presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, para viajar aos Estados Unidos. Os deputados de oposição Caíto Quintana (PMDB) e Ângelo Vanhoni (PFL), que também são membros da comissão, não irão viajar.
Queremos que o governo detalhe em que setores pretende aplicar o dinheiro que está conseguindo com a venda das ações, disse Quintana, ao reclamar a falta de informações por parte do Palácio Iguaçu. Ele questiona a venda das ações e diz temer que o patrimônio de uma das empresas mais sólidas do setor energético esteja sendo dilapidado.


