Copel teve prejuízo de R$ 5,8 mi em trimestre
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sexta-feira, 21 de novembro de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Companhia Paranaense de Energia (Copel) teve prejuízo de R$ 5,8 milhões no terceiro trimestre de 2003. O balanço foi divulgado ontem, com uma semana de atraso. O resultado já era esperado, por causa do desconto tarifário dado aos consumidores adimplentes e da revisão de contratos. Entre janeiro e setembro, no entanto, a empresa acumula lucro de R$ 260,3 milhões.
De acordo com comentário assinado pelo diretor de Finanças e de Relações com os Investidores, Ronald Thadeu Ravedutti, o prejuízo do terceiro trimestre reflete principalmente a manutenção da compra de gás para a UEG Araucária e provisões de juros do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) e de perdas com incentivos fiscais. Segundo ele, a valorização do dólar no período julho-setembro também contribuiu para o resultado negativo.
No final de junho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a Copel a aplicar reajustes de 25,77% em média. A companhia, seguindo determinação do governador Roberto Requião (PMDB), não aumentou as tarifas. Em vez disso, ofereceu desconto no valor do aumento aos consumidores que pagam as contas em dia. Isso reduziu a inadimplência em R$ 55 milhões no trimestre. Em julho, a Copel tinha a receber dos clientes R$ 187 milhões, o equivalente a 5,4% do faturamento. Em setembro, o percentual de inadimplência foi de 3,5%, ou R$ 122 milhões.
Para o analista Mohamed Talah Júnior, da Century, a situação econômica da Copel é ruim. ''Além de não repassar o reajuste da tarifa, a empresa está pagando mais caro pelos insumos elétricos'', observou. Outro agravante é a inadimplência do poder público. Muitas prefeituras não pagavam a fatura de luz.
A direção da Copel diz que há muitas negociações em andamento e até o final do ano o nível de inadimplência será menor. Mas para Talah Júnior, a empresa não terá condições de manter o desconto aos consumidores adimplentes por causa do aumento da carga tributária no ano que vem. A Medida Provisória 135 aumenta a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de 3% para 7,6%; e do Programa de Integração Social (PIS), de 0,65% para 1,65%. Os tributos podem sofrer revisão por causa das críticas do setor produtivo contra o governo federal.
Entre janeiro e setembro, a desvalorização do dólar contribuiu para reduzir a dívida da Copel. ''Mesmo assim, não surtiu grande efeito no balanço'', avaliou Talah. Já a analista-chefe da Global Invest, Cristiane Reinaldim, disse que o perfil da dívida da estatal é bom. ''Não é um valor muito alto e a maior parte é de longo prazo'', observou. Para ela, os papéis da Copel são uma boa opção para investimento. ''Mas o investidor tem que saber que é para longo prazo e que estará sujeito às decisões de governo'', acrescentou.


