Copel terá que participar de leilão
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terça-feira, 07 de dezembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Até o início da noite de ontem, a equipe jurídica da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e da Procuradoria Geral do Estado (PGE), que estava em Brasília, não conseguiu reverter a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que obrigou as empresas Copel Distribuição e Copel Geração a participarem integralmente do leilão de energia, que será realizado hoje na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Este será o primeiro e único leilão para compra e venda de energia de um período de quatro anos, informou a Procuradoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A decisão do STF manteve as regras atuais do setor que determinam o fim dos contratos em 31 de dezembro de 2004 e a obrigatoriedade de toda energia ser comercializada exclusivamente por leilões, conhecidos como ''pool'' de energia.
A Copel vai participar do leilão, mas não queria comercializar o volume de energia previamente coberto pelos contratos iniciais, destinado aos consumidores paranaenses. A empresa recorreu à Justiça depois que a Aneel indeferiu a proposta de um termo aditivo ao contrato inicial firmado entre Copel Geração e Copel Distribuição.
Por questão de estratégia, a Copel não informou o volume de energia que irá comprar ou vender no leilão. Informou apenas, que terá que colocar no leilão mais 1.700 Megawatts médios de potência, que eram previstos para o abastecimento de energia no Estado, conforme contrato previamente fixado.
O governador Roberto Requião (PMDB) lamentou a decisão do ministro Nelson Jobim, presidente do STF. Ele salientou que a sentença admite que o governo federal planeja reduzir as tarifas de energia no País, ''com o esforço da Copel e dos paranaenses que investiram em geração de energia barata durante 50 anos''. Requião lamentou mais ainda que está sozinho nessa luta, sem a ajuda de nenhum deputado federal ou senador. ''O revés não é meu, é do povo do Paraná que vai pagar essa conta'', afirmou.
Em um site especializado em energia, analistas do banco Pactual projetaram um aumento de 9% na energia comprada pela Copel no ''pool'' de energia. A empresa vai vender a energia por cerca de R$ 65 o Megawatt/hora e comprá-la por cerca de R$ 71,00 o MW/hora.
Para a procuradoria da Aneel, autora do recurso junto ao STF, a argumentação do governador Requião é mais política do que técnica. Segundo a agência, foi implantado um novo modelo para o setor energético e todos os Estados devem participar do leilão.


