Copel tem redução de 15% no lucro líquido
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quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Andrea Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O lucro líquido da Copel teve uma redução de 15% neste ano. A estatal fechou os primeiros nove meses do ano com um lucro de R$ 794,4 milhões contra R$ 932,5 milhões totalizados de janeiro a setembro de 2006 que, guardam influência da reversão de outro provisionamento, de R$ 421,3 milhões, destinado ao pagamento das faturas de fornecimento de gás natural para a Usina ed Araucária, objeto de um acordo firmado com a Petrobras.
O analista de mercado, Mohamed Talah Junior, disse que, apesar da redução de 15% no resultado do ano, a empresa é lucrativa e está no melhor mercado que é o de energia elétrica. Ele lembrou que a companhia estava muito concentrada na fonte hídrica e tentou a diversificação com a compra da Usina de Araucária e a Usina Eólica de Palmas. No entanto, ele acredita que o lucro da estatal poderia ser melhor já que a empresa tem dívida em dólar e a moeda norte-americana teve queda na cotação neste ano.
No terceiro trimestre deste ano (julho a setembro), a Copel teve lucro líquido de R$ 270 milhões, o que, na visão da estatal, representa um aumento de 40% sobre os R$ 192 milhões que foram obtidos no mesmo período do ano passado. O resultado do terceiro trimestre incorpora o provisionamento de R$ 170 milhões, referente a uma discussão judicial em torno do não recolhimento de Cofins sobre a venda de energia no período de junho de 1999 a junho de 2001. O efeito líquido desse provisionamento sobre o resultado foi redução - não recorrente - de R$ 112,5 milhões.
Talah Junior lembrou que a discussão sobre o pagamento de Cofins ainda não está encerrada na Justiça. De acordo com informações da Copel, a questão ainda está na esfera do Superior Tribunal de Justiça (STJ). ''Se você tirar os R$ 112,5 milhões, o lucro do terceiro trimestre fica em R$ 158 milhões ou 17,7% menor que no mesmo trimestre do ano passado. Usar o provisionamento da Cofins foi um artifício para não dizer que o lucro reduziu'', disse.
Para a Copel, o resultado do terceiro trimestre pode ser explicado pelo desempenho positivo do mercado consumidor de energia elétrica no Paraná, que teve um crescimento de 6% no ano, combinado a redução de custos. A classe comercial teve o maior aumento de consumo (9,3%), seguida da residencial (6,8%), industrial (5,5%) e rural (5,1%).
Apesar da queda que as ações da estatal tiveram com a participação no leilão de concessão de rodovias federais, realizado em outubro, os papéis acumulam alta na Bovespa de 37,2% (ações ordinárias) e as ações preferenciais de 17,2%. Em Nova York as ADRs variaram 36,9% e no Latibex, da Bolsa de Madri, as ações preferenciais subiram 26,6%. Nos nove primeiros meses de 2007, a rentabilidade calculada sobre o patrimônio líquido da Copel chegou a 12,7%.
A capacidade de geração de caixa da estatal, medida pelo índice conhecido como Lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) superou a R$ 1,5 bilhão no período. O endividamento da estatal foi de R$ 1,9 bilhão o que equivale a 23,8% do patrimônio líquido. De janeiro a setembro, a empresa teve uma receita operacional líquida de R$ 3,988 bilhões, volume 10% maior em relação ao mesmo período de 2006.
Considerando só as subsidiárias integrais da estatal, a Copel realizou investimentos de R$ 353,1 milhões até setembro, sendo a maior parte (R$ 262,2 milhões) na expansão, modernização e melhorias no sistema de distribuição de energia elétrica. Para a transmissão foram destinados R$ 56,7 milhões, em telecomunicações R$ 21 milhões, na área de geração R$ 7,9 milhões e o restante em empreendimentos onde a Copel detém participação.


