Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) fechou 2012 com uma queda de 38% no lucro líquido em relação a 2011. No ano passado, o lucro da estatal atingiu R$ 726 milhões. O principal motivo para este impacto negativo na empresa foram os efeitos causados pela revisão tarifária que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) promoveu em junho do ano passado. Esta alteração promovida pela agência reguladora do setor levou a uma redução tarifária média para o consumidor final de 0,65%, o que causou uma perda líquida para a companhia de R$ 236,6 milhões.
Além disso, outros motivos levaram a Copel a ter o lucro líquido reduzido em 2012. A Aneel solicitou que a empresa paranaense se adequasse à Resolução nº 474/12, a qual levou os ativos de energia da estatal a terem uma vida útil mais longa, resultando na perda de R$ 28 milhões no lucro líquido. A Aneel também alterou a Conta de Variação - Parcela A (CVA) da Copel, que são os gastos não gerenciáveis da companhia, como a compra de energia, transporte e encargos do setor elétrico, o que trouxe um impacto negativo de R$ 82,6 milhões.
Outro aspecto que contribuiu para a redução do lucro foi a adesão de 790 empregados ao Programa de Sucessão e Desligamento Voluntário (PSDV) ao longo de 2012, a qual teve um reflexo negativo de R$ 111,4 milhões. O PSDV foi encerrado em dezembro de 2012.
O diretor de finanças, relações com investidores e controle de participações da Copel, Luiz Eduardo Sebastiani, explicou que o setor de energia passou por um momento de instabilidade no ano passado, o que reduziu as margens de lucro.
Segundo ele, a Copel já trabalha com alternativas de novas receitas e otimização de custos. Entre as alternativas, estão investimentos em energia eólica, termelétricas, gás e os novos negócios na área de hidrelétricas em outros Estados, em linhas de transmissão e parcerias com outras companhias.
Sebastiani acredita que a redução de 18% na conta de energia para o consumidor final, anunciada pela presidente Dilma Rousseff no final de janeiro deste ano, não deve trazer impactos negativos para o caixa da empresa. ''Cai o preço para o consumidor final, mas também reduz o preço que a Copel paga pela compra da energia'', esclareceu.
De acordo com ele, a previsão é que em 2013 a empresa consiga recuperar a queda no lucro. Ele prevê que a Aneel autorize um aumento nas tarifas de energia da Copel em junho, já que houve uma utilização maior das termelétricas devido ao baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas no ano passado. No entanto, ele acredita que o governo federal deve encontrar alguma alternativa para não repassar este custo para o consumidor final.
No ano passado, a Copel realizou investimentos de R$ 1,87 bilhão, valor R$ 103 milhões maior do que em 2011. O setor em que a Copel mais investiu no Estado foi na distribuição, com a aplicação de R$ 778 milhões.

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