Copel tem prejuízo de R$ 49,9 milhões
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terça-feira, 19 de novembro de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) fechou o período de janeiro a setembro deste ano com um prejuízo de R$ 49,9 milhões. Esse resultado reflete basicamente os efeitos da variação cambial ocorrida principalmente nesse semestre, justificou o diretor de Finanças e de Relações com Investidores da Copel, Ricardo Portugal.
Esse prejuízo pode ser revertido, caso o valor do dólar caia até o final do ano. Para o ex-superintendente da Copel João Carlos Cascaes, o resultado poderia ser muito melhor, caso a Copel não tivesse contratos em dólar como a compra de energia da empresa argentina Cien e também com a Usina Termelétrica de Araucária, inaugurada recentemente na Região Metropolitana de Curitiba.
Para os analistas de mercado, o balanço do terceiro trimestre da Copel foi satisfatório. Isso porque o desempenho operacional gerou lucro de R$ 194 milhões, conforme análise feita pelo corretor Antonio Peixoto Cheren, diretor da C&D, Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. No ano anterior, no mesmo período, a empresa registrou lucro de R$ 143 milhões.
Em decorrência da elevação da variação cambial, o endividamento em dólar este ano custou à Copel R$ 546 milhões entre janeiro e setembro. No ano passado, no mesmo período o endividamento em dólar custou à empresa R$ 320 milhões, disse o corretor.
Conforme o balanço, a receita da Copel deste ano foi de R$ 2,4 bilhões, um acréscimo de R$ 400 milhões em relação ao mesmo período do ano passado. A Copel atribui esse resultado ao crescimento de 1,9% no consumo total de energia. Segundo a companhia, neste ano o mercado de energia já cresceu 4%, com destaque para o aumento do consumo na área comercial com a inauguração de diversos hipermercados no Estado. O comércio elevou o consumo em 6,8%, a indústria em 3,1%, enquanto o consumo residencial cresceu 2,2%. O consumo na área rural subiu 12,1% em consequência do aumento da safra agrícola e também pelos ajustes nas leituras das faturas de energia.
Por outro lado, as despesas operacionais da empresa cresceram de R$ 1,23 bilhão no ano passado para R$ 1,5 bilhão este ano. Mesmo com a elevação das despesas, a empresa teve lucro com o aumento da receita, salientou Cheren. Para o analista, a situação financeira da Copel é confortável. Ele apontou os números do ativo circulante, que corresponde a tudo o que a Copel transforma em dinheiro, que é de R$ 1,48 bilhão, receita superior ao passivo circulante, que é tudo o que a companhia tem a pagar, que soma R$ 912 milhões.


