Copel sai do prejuízo e registra lucro de R$ 171 mi
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terça-feira, 30 de março de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) saiu de um prejuízo de R$ 320 milhões em 2002 para um lucro líquido de R$ 171 milhões em 2003. O resultado do balanço da empresa no ano passado foi divulgado ontem e ficou acima das expectativas dos analistas de mercados. Como reflexo do balanço positivo, as ações ordinárias da empresa tiveram uma alta de 2,08% e as ações preferenciais tiveram alta de 0,56% na Bolsa de Valores de São Paulo.
O lucro poderia ser maior ainda não fosse a necessidade da empresa provisionar recursos para compra de gás para a termelétrica UEG Araucária, no valor de R$ 162 milhões, e também do provisionamento de R$ 252 milhões para dar suporte ao acordo assinado com a empresa argentina Cien, informou ao mercado o diretor de Finanças Ronald Thadeu Ravedutti. O provisionamento para pagamento da Cien foi feito por recomendação de auditoria externa, mas o contrato será pago em parcelas anuais de R$ 63 milhões de 2004 a 2007.
A receita líquida da empresa também aumentou em 12,1%, passando de R$ 2,66 milhões em 2002 para R$ 2,99 milhões em 2003. A redução da participação da Copel nas sociedades onde ela era minoritária foi um dos fatores que contribuíram para o aumento da receita. Em decorrência dessa estratégia, a empresa saiu de um prejuízo de R$ 34 milhões em 2002 no item das participações societárias, para um lucro de R$ 31,7 milhões no ano passado.
Os provisionamentos foram responsáveis pels resultados negativos da empresa no balanço durante os três primeiros trimestres do ano. No final, a Copel foi beneficiada pelo aumento do consumo de energia, de aproximadamente 1,2% em 2003 na comparação com o ano anterior. O setor comercial foi o que mais cresceu, com 5% a mais no consumo de energia. Segundo a Copel, o setor comercial no Paraná passou por uma fase de modernização que motivou a implantação de cinco mil novas unidades no Estado no ano passado.
Na avaliação dos analistas de mercado e também da empresa, o resultado financeiro reflete principalmente o efeito cambial da valorização do real frente ao dólar, que foi de 18,23%. Em 2002, quando registrou prejuízo a empresa sentiu o impacto da valorização do dólar diante de seus custos, a maioria dolarizada.
Não fosse a decisão do governador Roberto Requião (PMDB), de transformar o aumento da energia em desconto para quem paga em dia, o lucro da Copel seria maior, disse o analista Joel Machado, da corretora Century Investimentos.


