Curitiba Após um período de quatro meses, as negociações entre a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a usina termelétrica a gás UEG Araucária para reduzir o valor do contrato, que estabelece a compra de energia pela estatal paranaense, foram encerradas. As partes não entraram num entendimento e agora as duas empresas prometem ir à Justiça. A Copel suspendeu o pagamento à termelétrica, rompendo um contrato no valor de R$ 450 milhões ao ano.
Outro contrato que está sendo negociado pela Copel corresponde à compra de energia da empresa argentina Companhia de Conexão Energética (Cien). O contrato para compra de energia das duas empresas somam um desembolso de R$ 1,2 bilhão por ano, que corresponde a mais de um terço do faturamento líquido da Copel, calculou o diretor financeiro da empresa Ronald Ravedutti. O comunicado sobre o rompimento dos contratos foi feito ontem pelo presidente da estatal paranaense, Paulo Pimentel.
Com a suspensão dos pagamentos a essas duas empresas desde o início do ano, a Copel deixou de pagar nesse período cerca de R$ 300 milhões. Só para a UEG Araucária, a Copel deixou de pagar R$ 70 milhões. Segundo Ravedutti, a Copel não precisa da energia gerada por essas empresas e se for vender a energia no Mercado Atacadista de Energia (MAE), no curto prazo, vai obter um retorno de apenas R$ 4,00 o megawatt/hora (mw/h), enquanto as tarifas para compra de energia somam cifras que superam esse valor em cerca de 30 vezes o mw/h.
A Copel afirma que o custo da tarifa para compra da energia gerada pela UEG Araucária como foi estabelecido no contrato, de US$ 42 o megawatt/hora (MW/h) por um período de 20 anos, é inviável. A Copel não tem como transferir esse valor ao consumidor paranaense, sob pena de prejudicar a competitividade da indústria e tornar proibitivo o consumo de energia residencial, justificou Pimentel. Além disso, o contrato foi fixado em dólar, o que contraria as normas para empresas públicas brasileiras. Por causa disso, o contrato não foi homologado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O contrato foi estabelecido entre os acionistas da UEG Araucária e a diretoria anterior da Copel, no governo de Jaime Lerner (PFL). A usina térmica tem como acionistas a empresa norte-americana El Paso, com 60% das ações, a Petrobras, com 20% das ações e a própria Copel, com 20% das ações. A ação judicial não se estende à dissolução da sociedade entre os acionistas da usina a gás, disse o diretor financeiro da Copel, Ronald Ravedutti. ''Somente aos valores dos contratos que estão acima da realidade de mercado'', esclareceu.
Outro agravante, relatou Pimentel, é que a termelétrica de Araucária não tem condições de gerar energia. A empresa foi inaugurada em setembro do ano passado com potência instalada para gerar 460 mw/h, mas até hoje não conseguiu cumprir seu papel principal por conta de um erro técnico da gestão anterior da Copel, que não avaliou que os equipamentos colocados na empresa não eram compatíveis com o gás fornecido pela Bolívia. Segundo Pimentel, este gás não é de qualidade e o preço está acima do mercado.
Além dos investimentos de quase US$ 300 milhões na UEG Araucária, foi preciso investir mais US$ 60 milhões para importar uma ''segunda'' usina para processar o gás boliviano. O equipamento veio da Nova Zelândia e a UEG Araucária ainda está em fase de testes. Mesmo assim, como a Aneel ainda não homologou o contrato, a energia gerada pela termelétrica não poderá ser vendida no mercado, o que aumentaria ainda mais os prejuízos da Copel.

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