Curitiba - Após cinco meses de negociação, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) anunciou, ontem, a renegociação do contrato firmado com a empresa chilena Companhia de Interconexão Energética (Cien). A Copel havia firmado contrato com a Cien, no final de 1999, para compra de energia elétrica, mas ele foi rompido pelo governador Roberto Requião no início do ano. Requião considerou as cláusulas lesivas ao Estado.
Conforme o novo contrato, o volume de compra foi reduzido à metade, o prazo para compra da energia caiu de 20 anos para 7 anos e o pagamento foi transformado de dólar para a moeda nacional, em reais. Pelo contrato antigo, a Copel se comprometia a comprar 800 megawatts (mw) de potência, em dois contratos de 400 mw cada um, pelo valor de R$ 750 milhões, convertidos ao dólar do dia.
O contrato assinado ontem, prevê que a Copel vai comprar 400 mw de potência, até 31 de dezembro de 2009. A Copel não informou como ocorreu a renegociação da dívida decorrente do rompimento do contrato. Além disso, as tarifas em reais terão mecanismos de correção reconhecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o que vai permitir a homologação dos contratos.
De acordo com representantes da Cien, que selaram o acordo em Curitiba, ele foi vantajoso para as duas empresas. Para a Copel, porque continua com a possibilidade de compra de energia, em caso de necessidade. E para a Cien, que ganha 400 mw de potência para vendê-la no mercado aberto de energia.
Além da renegociação dos contratos, o governador Roberto Requião está preocupado em convencer o governo federal a não adotar um modelo energético para o País de forma compulsória, com a inclusão da energia num pool de vendas entre os estados geradores de energia. Requião havia convidado a ministra Dilma Roussef para acompanhá-lo numa viagem que fez ontem aos Estados Unidos, para conhecer o modelo energético adotado no Texas.
A ministra recusou o convite, alegando problemas de agenda. O governador viajou em companhia do diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, do presidente da Copel, Paulo Pimentel e outros três diretores da empresa.

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