Curitiba - Grandes consumidores de energia elétrica no Paraná, como as indústrias fabricantes de papel Inpacel e Pisa, que antes compravam energia da Companhia Paranaense de Energia (Copel), migraram para a multinacional Tractebel, empresa de energia elétrica com sede em Florianópolis, Santa Catarina. Só essas duas empresas consomem em média 110 Megawatts Médios, que supera o consumo de uma cidade do tamanho de Florianópolis, com 350 mil habitantes.
Essa estratégia vem sendo utilizada pelos grandes grupos industriais que ganharam a condição de consumidores livres no sistema energético vigente. O maior atrativo da multinacional de energia é a redução de tarifas que em alguns casos pode chegar a 40% e a flexibilidade no fornecimento de energia, apontou o diretor de comercialização de Energia Miroel Wolowski.
Por causa dessa migração e também em função da redução da atividade econômica no ano passado, a Copel teve uma queda de 4,3% no consumo industrial. Já os consumidores residenciais, comerciais e rurais que não ganharam a condição de livres, aumentaram o consumo de energia. A Copel contabiliza o aumento de 1,7% no consumo residencial, 5% no consumo comercial e 2,8% no consumo rural.
O avanço da Tractebel sobre os consumidores livres vem ocorrendo nos últimos dois anos, quando o governo federal liberou a compra de energia para o seguimento industrial. Atualmente a multinacional já fornece 600 megawatts Médios só para consumidores industriais, além das distribuidoras das quais também é fornecedora. Wolowski comemora o fornecimento para outros grandes grupos industriais também de outros Estados como a Gerdau, Volkswagen e Brasken.
Segundo Wolowski, além do atrativo da tarifa reduzida as grandes empresas querem garantia de fornecimento. Segundo ele, o diferencial da Tractebel é a garantia de energia. As dez usinas hidrelétricas que o grupo possui estão pulverizadas em várias bacias hidrográficas como a do Uruguai, Iguaçu e do Tocantins. Também oferece energia a carvão, de Tubarão, Santa Catarina, energia oriunda de gás natural em Mato Grosso do Sul e recentemente instalou uma usina de biomassa para produção de energia no município de Lages, também no estado catarinense.
''Enquanto isso, a Copel tem sua energia oriunda basicamente do sistema hidrelétrico que depende de uma única bacia que é a do Iguaçu'', comparou. Para Wolowski, se acontecer uma estiagem na região, o fornecimento da empresa paranaense fica comprometido.

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