Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) está alterando sua participação acionária nos empreendimentos de geração de energia. A empresa confirma alterações nas sociedades com a Enercam, consórcio proprietário da usina hidrelétrica de Campos Novos (SC), e na Elejor, empresa que está construindo a usina Centrais Elétricas do Rio Jordão. A direção da Sercomtel também admite a intenção da Copel em se desfazer da sociedade na empresa de telecomunicações de Londrina (leia reportagem nesta página).
A justificativa da Copel é que a empresa está reavaliando sua participação em empreendimentos onde aparece como sócia minoritária, caso a caso, conforme determinou o governador Roberto Requião (PMDB). Segundo a assessoria de imprensa, todas as parcerias estão sendo revistas, cada uma devendo ''amadurecer em períodos diferentes''.
Mas de acordo com o jornal O Valor Econômico, a mexida na composição acionária dos empreendimentos de geração de energia é muito maior. A Copel teria decidido a cortar investimentos no setor de geração por decisão de Requião, contrariado com a decisão do Ministério das Minas e Energia de não excluir o Paraná do novo modelo energético, em análise no Senado.
A Folha procurou o ministério, que não nega e nem confirma que o Paraná será excluído do pool de venda de energia, conforme acordo informal que o governador Requião afirma ter obtido do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Conforme comunicado que circulou ontem no mercado financeiro, a Copel estaria se antecipando ao texto final do modelo energético que não exclui nenhum estado de participar do pool de energia e por isso teria decidido a abrir mão de suas parcerias principalmente nas geradoras de energia. É o caso da usina hidrelétrica de Foz do Chopim, onde a Copel é sócia do empreiteiro Darci Fantin, com 35,7% das ações; na UEG Araucária onde tem participação de 20%; na usina eólica de Palmas onde tem participação de 30%.
Também teria se decidido se retirar da participação de 15% que tem no Consórcio Dominó, que participa com 39,7% das ações da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). E ainda deve vender 45% de sua participação da empresa de telecomunicações Sercomtel. A Copel quer vender ainda sua participação de 25% no provedor de Internet Onda, mantido pela Inepar.
Segundo analistas de mercado, o fato é que a Copel tem excedente de 2 mil megawatts de energia e com a decisão da ministra Dilma Roussef, de incluir o Paraná no pool de comercialização da energia, o Estado desiste de investir em geração daqui para frente.
De acordo com a assessoria da Copel, a estatal não tem a intenção de cortar investimentos em geração. Pelo contrário, na Elejor que está construindo as usinas hidrelétricas de Santa Clara e do Fundão a Copel está reivindicando autorização junto à Assembléia Legislativa para ampliar sua participação de 40% para 70%.

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