Copel quer trocar dívida, avalia mercado
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terça-feira, 23 de abril de 2002
Vânia Casado Equipe da Folha 
Curitiba - O mercado financeiro acredita que a Copel tem a intenção de trocar a atual dívida de US$ 150 milhões em eurobônus, que vence em maio deste ano, por um outro financiamento que deve ser captado a juros menores na Europa. O assunto ganhou fôlego com o anúncio da estatal em lançar ações na Bolsa de Valores de Madri, na Espanha, por meio do Latibex - mercado que comercializa ações de empreendimentos latino-americanos na Comunidade Européia.
O diretor de Finanças e Relações com os Investidores da Copel, Ricardo Portugal Alves, disse que a iniciativa deverá aumentar a exposição da empresa diante do mercado e dos investidores europeus. Acrescentou ainda que o objetivo é tornar a Copel mais conhecida para facilitar eventuais negócios no futuro. Portugal refutou a hipótese de planos imediatos para iniciar uma operação financeira na Europa.
Mas o mercado financeiro tem outra leitura em relação ao assunto. Segundo analistas, a Copel está esperando autorização da Comissão de Valores Mobiliários para fazer uma emissão de debêntures não conversíveis em ações para captar R$ 500 milhões no mercado interno, como já foi anunciado. Com esses recursos, a empresa pretende quitar a dívida no valor de US$ 150 milhões, captados em eurobônus.
O próximo passo é o lançamento de ações da Copel na Bolsa de Madri, para que a empresa possa conseguir recursos a juros mais baratos que os eurobônus. Ou seja, estará trocando a dívida, com encargos mais baratos, afirmou o analista. Com isso, a Copel confirma participação com operações financeiras nos dois mercados mais importantes do mundo, que são os Estados Unidos e a Europa. A Copel negocia na Bolsa de Nova York desde 1997.
Atualmente movimenta em Nova York em torno de 50 bilhões de ações, que correspondem a 18% do capital da empresa. Se a Copel captar entre 10% e 15% do capital da companhia no mercado europeu, já estará caracterizada a formação de uma empresa de economia mista, que dará mais agilidade para participar do Mercado Atacadista de Energia no ano que vem, destacou o analista.
De acordo com o mercado, a Copel está indo em busca de recursos externos, mais baratos, para investir na expansão e melhoria dos setores de geração e distribuição de energia. A estatal paranaense de energia é competitiva, mas não pode deixar de fazer investimentos se quiser continuar disputando espaço com as empresas de energia que poderão entrar no mercado do Paraná.


