São Paulo - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) pretende ser uma das empresas que irá comercializar energia elétrica para a Argentina. O país vizinho enfrenta uma crise no setor e corre sérios riscos de viver um apagão ou racionamento como o enfrentado pelo Brasil em 2001.
Segundo o diretor de relações com investidores da Copel, Ronald Thadeu Ravedutti, a empresa pretende vender até 90 MW (megawatts) de energia à Argentina. ''Tentaremos nos beneficiar dessa situação, entrar nesse nicho e exportar para a Argentina'', afirmou Ravedutti durante conferência telefônica com analistas para detalhar o balanço de 2003.
Há cerca de duas semanas, a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, afirmou que o Brasil poderia enviar entre 300 MW e 500 MW hora de energia para o mercado argentino. Na terça-feira, Dilma também confirmou que o Brasil forneceu, de forma emergencial, energia para o país vizinho. Ao todo, foram 500 MW (megawatts).
A Copel informou que pretende investir R$ 1,2 bilhão até o ano de 2006. A intenção é gastar cerca de R$ 400 milhões por ano, começando em 2004. Segundo o diretor, esse valor é a estimativa, mas pode ser revisto, se necessário, pelo conselho de administração da companhia. Ravedutti disse ainda que a estimativa da empresa é que, neste ano, haja um aumento de 2,5% no mercado de energia. Em 2003, a Copel conseguiu sair do prejuízo e ter lucro de R$ 171,1 milhões. No ano anterior, a empresa havia registrado perdas de R$ 320 milhões.
Banco de energia - O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Didier Opertti, sugeriu ontem ao Brasil a criação de um ''banco de energia'' para o Mercosul, por intermédio do qual os países da região com sobra de energia abasteceriam os demais que estivessem com escassez. A proposta foi feita em encontro com o chanceler brasileiro, Celso Amorin. A sugestão, que Opertti afirma ser de cunho pessoal, surgiu em decorrência da crise energética argentina, que levou aquele país a suspender o fornecimento de eletricidade e gás ao Uruguai. O Brasil está fornecendo energia para os dois países.
Ontem, emergencialmente, o Brasil começou a fornecer 500 megawatts (MW) para a Argentina, e deverá fazer uma exportação mais estruturada a partir de maio. Já para o Uruguai, o Brasil fornece 70 MW desde 25 de março, e deverá manter o suprimento por 45 dias. Essa operação já estava planejada, e é a devolução de energia que o Uruguai transferiu para o Brasil em 2001, durante o racionamento.

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