Copel quer construir 15 hidrelétricas no Rio Piquiri
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
Eli Araujo<BR> Reportagem Local 
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) obteve registro junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para elaborar projetos para a construção de 11 usinas hidrelétricas de pequeno porte no Rio Piquiri, região Oeste do Estado, e realizar estudos de viabilidade de outras quatro hidrelétricas de médio porte no mesmo rio. No total, as 15 hidrelétricas, quando em pleno funcionamento, terão uma potência instalada de 659 megawatts (MW), o suficiente para abastecer quatro cidades do tamanho de Londrina, ou seja, cerca de 2 milhões de habitantes.
Os registros obtidos pela Copel não dão direito à companhia de executar os empreendimentos, mas há por parte da empresa ''uma firme disposição'' de explorar esta nova fonte energética. ''O potencial hidrelétrico do Estado é um bem que deve ser explorado em benefício dos paranaenses, promovendo o crescimento econômico e o desenvolvimento social do Paraná, que sempre foram a inspiração e o objetivo da Copel em mais de meio século de atuação'', afirma o presidente da companhia, Ronald Ravedutti. O trabalho de eleboração dos projetos já foi iniciado e deve estar concluído em um ano.
A construção das 15 hidrelétricas no Rio Piquiri vai aumentar em 14,5% a potência do parque de geração de energia da Copel, hoje com capacidade de 4.550 megawatts. A companhia diz que a construção de novas usinas vão atender a crescente demanda de energia elétrica no País, proporcionando mais segurança no abastecimento futuro, o que contribui para reduzir os riscos de apagões. Outro aspecto que a empresa considera relevante é a construção de usinas próximas aos pontos de consumo, o que evita problemas com longas linhas de transmissão.
Contramão
O coordenador do Centro de Apoio às Promotorias do Meio Ambiente do Estado do Paraná, procurador Saint-Clair Santos, considera totalmente fora de propósito os estudos para a construção de novas hidrelétricas não apenas no Rio Piquiri, mas em qualquer rio paranaense. Ele justifica que as novas hidrelétricas são desnecessárias porque o Paraná consome apenas 20% da energia que produz. ''O mundo está caminhando para formas de energias sustentáveis, como a eólica e a solar e, por isso, esses projetos são absolutamente desnecessários e inúteis'', afirma. Ainda segundo ele, o pior é que o Estado não recebe nada pelo excedente de energia que produz uma vez que o ICMS é recolhido apenas no estado consumidor.
Saint-Clair defende a aprovação de um projeto que tramita na Assembleia Legislativa que impede a construção de novas barragens em rios paranaenses. ''Esses rios são patrimônio não apenas do Estado, mas quem sabe até da humanidade, e por isso precisam ser preservados''. Na opinião do procurador, a construção das hidrelétricas vai transformar o Rio Piquiri numa sequência de lagos. ''Isto vai na contramão do mundo moderno'', afirmou decepcionado.


