Arquivo FolhaAvalRubens Pavan, presidente da Sercomtel: ‘‘Pode estar aí um bom modelo para a telefonia em Londrina’’A Copel (Companhia Paranaense de Energia) quer comprar 35% das ações da Sercomtel. O jornal Gazeta Mercantil publicou ontem a convocação de uma assembléia extraordinária dos acionistas da estatal paranaense para o próximo dia 30 que inclui, na pauta, proposta da diretoria para aquisição de 35% da operadora telefônica de Londrina.
O presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, diz que a proposta de compra pela Copel, manifestada no edital, ‘‘soma-se a diversas outras já de conhecimento da direção da empresa’’. Mas ele não adianta os nomes dos grupos que já manifestaram interesse na parceria com a Sercomtel. ‘‘Somos os vendedores e não vamos tomar a iniciativa de anunciar com quem estamos negociando’’, afirma.
O prefeito Antonio Belinati também não revela os potenciais parceiros da Sercomtel, mas confirma que já foram manifestadas intenções de negócio por parte de fundos de pensão, bancos, uma operadora telefônica espanhola e um grupo italiano. ‘‘Existem muitas empresas paquerando a Sercomtel’’, diz. Belinati afirma que torce para a concretização da sociedade entre Sercomtel e Copel e diz que esta seria ‘‘uma das maiores parcerias do País’’. Segundo ele, a transação contaria com apoio integral do governador Jaime Lerner e do presidente da Copel, Ingo Hubert. ‘‘De nossa parte, também achamos que essa seria uma parceria fantástica. Temos grande orgulho da Copel’’.
Belinati diz que o município não vai abrir mão do controle da Sercomtel. Por isso, segundo ele, vai estudar com cautela as propostas dos grupos interessados. ‘‘A Sercomtel é uma referência de nível internacional em telefonia. Não vamos nos unir a uma empresa que impeça a Sercomtel de manter o seu padrão de excelência’’.
Para Pavan, a parceria com a Copel seria positiva para a Sercomtel. ‘‘É uma das maiores empresas do País, moderna e avançada. Precisamos de um sócio estratégico com qualidades assim e, principalmente, com apetite para competir nesse novo mercado que está surgindo’’.
Pavan lembra que a Copel obteve em março autorização do Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para explorar serviços de telecomunicações, utilizando 2.500 quilômetros de sua rede de cabos com fibra ópticas. Foi a primeira companhia de energia elétrica do País a obter a outorga para ingressar na área de telecomunicações.
O fato de se tratar de uma empresa estatal pode até ‘‘sugerir um novo desenho para o serviço em Londrina’’, observa Pavan. ‘‘A administração pública tem se mostrado boa parceira em investimentos nas áreas de energia, saneamento, abastecimento de água e telefonia. Pode estar aí, talvez, um bom modelo para a telefonia de Londrina’’. Especialistas apontam vantagens nesta operação: se a transação de vendas de ações for feita de uma estatal para outra, não haveria necessidade de se buscar compradores na Bolsa.
O presidente do Conselho de Administração da Copel, ex-governador Ney Braga, não quis adiantar à Folha, ontem, detalhes da possível negociação. Disse que é preciso ‘‘aguardar a apresentação das propostas feitas pelos membros do conselho’’.
Antes da Copel, o grupo paranaense Inepar já havia anunciado disposição de participar do processo de privatização da Sercomtel. O presidente do grupo paranaense Atilano de Oms disse que a Inepar vai disputar a concorrência pública porque considera a Sercomtel um modelo nacional de empresa de telefonia. O grupo tem 21% no consórcio Globaltelecom, que venceu a licitação para explorar a Banda B da telefonia celular no Paraná e Santa Catarina.

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