Copel quer autonomia no Estado
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A expectativa da Copel é de que o consumo de energia elétrica tenha um crescimento neste ano próximo dos 5,9% registrados em 2010. O presidente da estatal, Lindolfo Zimmer, acredita que este resultado será obtido em função do crescimento da economia e afirmou que a empresa está preparada para isso. Uma das metas da estatal é atingir o superavit na produção de energia, ou seja, ter produção suficiente para atender a todos os consumidores paranaenses sem precisar de companhias de outros estados. Hoje, a empresa tem deficit de 30% entre a produção e o consumo.
A previsão é atingir o superavit de produção em quatro anos. Para atingir este objetivo, Zimmer pretende incentivar a criação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no Estado e participar de leilões de energia de usinas hidrelétricas e eólicas promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Neste ano, a Copel tem previsão de investimentos de R$ 2,09 bilhões como a FOLHA já havia divulgado com exclusividade em dezembro contra R$ 1,544 bilhão em 2010. ''O nosso primeiro objetivo é atender bem o consumidor'', disse o presidente da estatal.
A maior fatia deve ir para o setor de geração e transmissão de energia que terá recursos de R$ 1,025 bilhão. A área de distribuição terá investimentos de R$ 930 milhões e a de telecomunicações de R$ 102 milhões. Em 2010, a estatal venceu o leilão para a exploração da usina hidrelétrica de Colíder no Mato Grosso com 300 megawatts de potência que vai demandar R$ 115 milhões em 2011 e um total de R$ 1,5 bilhão nos próximos cinco anos.
Ainda para 2011, a Copel prevê o término da construção da Usina de Mauá, estimado para julho. O trabalho foi iniciado em 2007.
Zimmer destacou que o crescimento de consumo que a Copel teve neste ano foi reflexo do desempenho da economia brasileira. O setor que teve o maior aumento de consumo foi o de clientes comerciais com elevação de 6,3%. ''O comércio teve uma atividade intensa neste ano'', afirmou.
Em 2010, o mercado fio da Copel - que compreende os consumidores cativos, outras concessionárias e os chamados consumidores livres - totalizou consumo de 25.083 GWh (gigawatts-horas), contra um total de 23.695 GWh utilizados ao longo de 2009. A diferença entre esses valores equivale ao que consome anualmente uma cidade como Londrina, o segundo maior centro urbano do Estado, onde a Copel atende a 200 mil ligações elétricas.
''As medidas de estímulo ao crédito e ao consumo adotadas pelo Governo Federal apontavam para uma expressiva elevação no consumo de energia, pois manteve aquecidas as atividades de todos os setores da economia'', avaliou Zimmer.
Considerados unicamente os 3,759 milhões consumidores cativos atendidos pela Copel na sua área de concessão, que alcança 393 dos 399 municípios paranaenses e mais Porto União, em Santa Catarina, a utilização de energia elétrica em 2010 foi 5,2% maior que a verificada no ano anterior.
O maior percentual de expansão foi registrado no segmento comercial, onde a elevação atingiu 6,3%. Esta categoria representa 21% do mercado cativo da Copel e é formada por 309 mil unidades consumidoras. Logo atrás vêm as indústrias, cujo consumo em 2010 superou em 5,8% a marca apurada em 2009. Os setores onde a utilização de energia elétrica mais subiu foram os de alimentos, veículos automotores e máquinas e equipamentos. O segmento industrial, formado por 69.198 unidades consumidoras, corresponde a 33% do mercado cativo atendido pela Copel.
O consumo de energia elétrica no meio rural também registrou expressivo crescimento, de 5,6%, consequência da expansão do número de domicílios ligados e do aquecimento da economia. Nessa classe de consumo, que significa 8,3% do mercado cativo da Copel, existem 366 mil ligações elétricas atendidas.
Na classe residencial, a mais representativa em número de ligações com 2,965 milhões domicílios, a variação do consumo ficou em 4,6%, basicamente em consequência do acréscimo de aparelhos eletrodomésticos nas moradias e do crescimento do número de unidades consumidoras. Das 131 mil novas ligações realizadas pela Copel durante o ano em todo o Estado, 105 mil foram em unidades residenciais.


