Carmem Murara
De Curitiba
A antiga vila residencial dos trabalhadores que construíram a usina de Foz do Areia, conhecida como Faxinal do Céu, pode se transformar numa estância turística. A intenção da Copel é fazer um contrato de comodato para uma rede hoteleira interessada em investir no turismo regional. Vários possíveis empreendedores têm sido procurados nos últimos meses, mas foi somente no Congresso da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagem) que a proposta foi apresentada ao público pela primeira vez.
O estande da Copel traz fotos e informações sobre Faxinal do Céu, estrutura que até o ano passado serviu para reciclar os professores da rede estadual de ensino, em cursos regulares de uma semana. Junto às casas dos ex-operários que construíram a usina, foi erguida a Universidade do Professor. Considerada como a menina dos olhos do governador Jaime Lerner e um de seus motes de campanha eleitoral, a universidade está abandonada, segundo informou ontem o representante da área de Meio Ambiente da Copel-Geração, Luiz Augusto Ludwig. A Copel faz a manutenção da área, o que representa um custo que a companhia quer se desfazer.
O contrato com a empresa que tocava a Universidade do Professor não foi renovado, mesmo assim, o Palácio Iguaçu divulgou ontem uma nota dizendo que novos cursos para professores vão ser feitos, em Faxinal do Céu, a partir do dia 15. ‘‘Teremos cursos de gestão escolar e metodologia do ensino de línguas estrangeiras, por exemplo’’, anunciou o diretor da universidade, Marcelo Aguilar.
A Copel tem duas propostas para passar a antiga vila dos operários para um grupo hoteleiro. A primeira prevê o arrendamento total de Faxinal do Céu, incluindo a estrutura da Universidade do Professor, o que representaria um investimento de R$ 3,27 milhões aos empreendedores. A segunda alternativa exclui a universidade, o que daria um investimento de R$ 2,83 milhões.
A futura estância teria capacidade para 120 acomodações, sendo 58 estão classificadas como duas estrelas e 62 na categoria três estrelas. Pelo estudo da Copel, os empreendedores teriam uma receita bruta de R$ 3,8 milhões e um lucro bruto de R$ 869,6 mil, no primeiro ano.
A proposta de redirecionar o funcionamento de Faxinal do Céu faz parte de um amplo projeto turístico para explorar o potencial do Rio Iguaçu. ‘‘Há um estudo que mostra que é possível aproveitar o curso do rio, criando pólos para o turismo nas usinas’’, afirmou Luiz Augusto Ludwig.

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