Curitiba - A Copel pode acabar com o desconto de 7% para os consumidores que pagam a fatura em dia. De acordo com informações de analistas de mercado ouvidos pela Folha, o desconto que vem sendo oferecido desde junho de 2003 teria prejudicado o faturamento da empresa. Para manter esta política de beneficiar quem paga a fatura na data correta, a companhia teve que cortar custos, conforme informações do mercado.
''A empresa tem dado indicações de que vai zerar o desconto'', disse o analista financeiro da área de energia, saneamento e concessões da Fator Corretora, Renato Onishi. A Copel não comenta nem confirma a informação.
A política de descontos começou em junho de 2003 quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a Copel a reajustar as tarifas de energia em 25% e o governador Roberto Requião tomou a decisão de transformar os 25% em desconto. A empresa marcou para ontem a divulgação do balanço de 2005 mas até o fechamento desta edição, as informações ainda não haviam sido disponibilizadas para o mercado e para a imprensa.
Onishi destaca que um ponto positivo neste ano foi o fato de a Copel ter conseguido entrar em acordo com a Petrobras e assinado os termos do acordo para o pagamento da dívida referente ao suprimento de gás natural para a Usina Termelétrica de Araucária. O valor corrigido do débito era de R$ 750 milhões, mas o governo do Estado conseguiu reduzir o valor para R$ 150 milhões que serão pagos em 60 parcelas, com início em janeiro de 2010 e correção pela taxa Selic. Desde 2002, a empresa vinha realizando provisionamento de caixa para o pagamento desta dívida.
A demanda entre a Copel e a Petrobras tem origem nos contratos para o abastecimento da usina com gás natural boliviano que traziam a cláusula ''take or pay'' pela qual o volume de combustível contratado deveria ser pago mesmo que não fosse utilizado.
Onishi também destaca como ponto positivo o fato de a Copel ter conseguido entrar em acordo com a El Paso para comprar os 60% de participação que esta companhia tem na UEG Araucária.
Em junho, a Copel também vai poder participar do leilão de energia nova e poderá gerar um caixa adicional. Normalmente, os contratos de energia nova são de 15 anos e o início da entrega da energia está marcado para 2009. A previsão é que a UEG comece a produzir em 2007.
Consumo Informações divulgadas pela própria empresa neste mês mostraram que o consumo do segmento industrial teve queda de 9,3% em 2005. A Copel explicou, na época, que, por imposição da Aneel, todos os clientes industriais enquadrados na categoria de consumidor livre migrassem, a partir de abril de 2005, das concessionárias de distribuição para as empresas de geração. Com isso, o consumo saiu da Copel Distribuição para a Copel Geração. Segundo Renato Onishi, o setor de distribuição da Copel vem caminhando bem, com exceção da perda de clientes industriais para o mercado livre de energia.

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