Curitiba O deputado estadual Rafael Greca de Macedo (PMDB-PR) encaminhou um pedido oficial de esclarecimentos ao governador do Estado e à Companhia Paranaense de Energia (Copel) sobre a possibilidade da empresa perder o controle das operações de energia elétrica no Paraná. Segundo o deputado, a informação que ele obteve é que a partir de janeiro de 2006, o Operador Nacional do Sistema (ONS), instituição da iniciativa privada, passaria a ter o comando do sistema elétrico nos Estados, hoje em poder das principais empresas de energia do País.
O deputado manifestou preocupação com a possibilidade de transferência de responsabilidades de uma área de excelência como a Copel, para um operador nacional do sistema ''longínquo e fora do nosso território e controle''. De acordo com o deputado, a partir de uma central regional em Florianópolis (SC), o ONS passaria a controlar todas as operações das empresas. A preocupação de Greca é que em caso de queda de energia em qualquer região do Estado, o serviço pode demorar mais a ser restabelecido.
De acordo com o deputado, está previsto também a transferência para o ONS da responsabilidade da operação hidráulica do Rio Iguaçu. ''Isto pode significar erros, danos, de proporções nunca imaginadas, na Bacia do Iguaçu, que pode afetar as populações, usinas e áreas lindeiras do rio'', acrescentou.
A Copel controla o sistema paranaense de energia elétrica a partir de cinco usinas instaladas no Rio Iguaçu (Foz do Areia, Segredo, Salto Caxias, Salto Santiago e Salto Osório), sendo três da Copel e duas da Tractebel. Além disso, fazem parte do sistema outras duas usinas no Rio Jordão: Santa Clara, que entrou em operação no último final de semana; e Fundão, que entra em operação em 2006.
A assessoria da Copel admitiu que existe a intenção do ONS operar os sistemas e unidades mais importantes para operar o sistema interligado nacional. A empresa já acionou sua área técnica para obter mais detalhes de como essa operação pode atingir os interesses da Copel e seus consumidores.
A assessoria de imprensa do ONS negou que a instituição tenha interesse no controle das usinas das empresas estaduais. Explicou que a ONS mantém a ingerência sobre a transmissão de energia na rede básica em todo o País, há seis anos, enquanto as distribuidoras nos Estados continuam responsáveis pela manutenção de energia em caso de interrupção.

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