Copel pode investir em projetos privados
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terça-feira, 27 de maio de 1997
Carmem Murara De Curitiba 
Sucursal de CuritibaNovo perfilIngo Hubert: abrir mão do controle acionário representa aumentar a capacidade de investimento da estatalA Companhia de Energia do Paraná (Copel) ganhou ontem a autorização para começar a investir em projetos junto com a iniciativa privada mesmo sem manter o controle acionário dos investimentos. A autorização para formar parcerias foi dada pela maioria dos deputados, que aprovou o projeto de lei em trâmite na Assembléia. Apenas a bancada do PT e parte da bancada do PMDB votaram contra a matéria. Nenhuma das emendas apresentadas pela oposição foi aceita pela ala governista. O projeto deve ser sancionado pelo governador Jaime Lerner nas próximas semanas.
Com a regulamentação da lei, a Copel iniciará uma série de investimentos, cuja execução estava ameaçada caso o projeto não passasse pela Assembléia. A companhia tem 25 projetos em andamento ou em execução, onde a empresa participa em consórcio com a iniciativa privada. Os projetos são todos na área de hidroenergia. Um dos investimentos é o da construção da hidrelétrica de Machadinho, na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Copel participa da construção de Machadinho em um consórcio com empresas privadas, entre elas a Inepar.
O projeto de lei aprovado permite ainda que a Copel amplie seus investimentos além do setor de energia elétrica. A companhia pode investir nas áreas de telefonia celular e transmissão de dados. Sempre tivemos um potencial e um know how para investirmos em outros setores, só que por causa da lei não podíamos, afirmou o presidente da Copel, Ingo Hubert. Ele afirmou que ainda não há detalhamento dos projetos fora da área de energia elétrica, mas assegurou que há interesse em firmar as parcerias nos demais setores.
As emendas da oposição tiravam da Copel a possibilidade de participar dos consórcios, onde a empresa não detivesse o controle majoritário, e também não permitiam que a empresa investisse em telefonia celular. O que o governo quer é tornar a Copel interessante para a iniciativa privada e desta maneira estimular a privatização, acusou o deputado Florisvaldo Fier (Dr. Rosinha PT).
Ele lembrou que no ano passado o presidente do grupo Inepar, Atilano Oms, declarou que a empresa não tinha interesse na Copel, porque a empresa tinha patrimônio imobilizado, situação que se inverteu com a aprovação do projeto.
Hubert disse que a possibilidade de participar de consórcios sem manter o controle acionário representará uma economia no volume de investimentos. O presidente da Copel garante que se a empresa usasse apenas recursos próprios nos investimentos, ela teria de gastar R$ 3 bilhões, em 10 anos. A formação de consórcios privados permitirá à Copel dispender 20% do investimento, passando a aplicar R$ 600 milhões na geração de enegia na próxima década. O tempo de construção também cai de 30 para 10 anos, caso haja a parceria com as empresas.


