Copel pode comprar UEG por US$ 190 milhões
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) fechou ontem uma negociação inicial com a multinacional norte-americada El Paso para a aquisição da participação de 60% que a El Paso possui na Usina Elétrica a Gás (UEG) de Aruacária. O valor da compra será de US$ 190 milhões e, quando o negócio de fato se concretizar, as duas partes se comprometeram a retirar as ações na Justiça que uma move contra a outra. A Petrobras, que possui 20% das ações da UEG, não tem nada a ver com esta negociação.
As duas partes assinaram ontem um memorando de entendimentos para a compra. De acordo com a Copel, o memorando deve gerar acordo definitivo e a assinatura da venda deve acontecer até o próximo 30 de abril. Durante esse período as condições da compra serão submetidos à aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da Assembléia Legislativa do Paraná e dos órgãos administrativos da El Paso. A usina termelétrica a gás tem potência de 484 megawatts, porém está inativa.
A UEG foi inaugurada em 30 de setembro de 2002 para produzir energia elétrica a partir do gás natural vindo da Bolívia e está paralisada desde o final deste mesmo ano, quando foram constatados problemas na unidade de processamento de gás natural construída porque a empresa norte-americana alegou que o gás boliviano não era compatível com as suas turbinas. No entanto o governo do Paraná descobriu que as turbinas não apresentavam qualquer problema. A usina é incompatível com o sistema nacional e estadual de distribuição de energia.
Foi aí que começou a briga entre a El Paso e Copel. Em 2003, o governador Roberto Requião determinou a interrupção do pagamento mensal pela compra de energia pela Copel, que vinha sendo feito pelo governo anterior, e determinou uma revisão no contrato usando como justificativa o fato de que não iria continuar pagando por um produto que a Copel nunca recebeu e que comprometia um terço das receitas da companhia. Em 2003, os repasses totalizavam R$ 450 milhões.
Por causa do corte do pagamento a El Paso moveu uma ação contra o governo do Estado na França pedindo uma indenização à Copel de US$ 800 milhões. A Copel também deve retirar o processo que move contra El Passo pedindo a nulidade da cláusula do contrato entre as duas que remete as discussões judiciais para a corte de arbitragem da Câmara Internacional do Comércio, em Paris. Com a venda ficam suspensas as ações.
Procurada pela reportagem, a El Paso preferiu não se manifestar sobre a negociação.


